Cinco passos para ser assertiva e estabelecer limites ao assédio sexual disfarçado de 'brincadeira'

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Educadora e pesquisadora na área de comportamento humano, Vera Martins é autora de três livros - entre eles, "Seja assertivo" - e presta consultoria em empresas e coach de líderes. A observação do ambiente empresa-mercado, e da influência da assertividade nas relações interpessoais que se dão neste espaço, chamou sua atenção para a relação desigual entre homens e mulheres, baseada em mecanismos estabelecidos culturalmente sobre os conceitos de "poder e respeito". Se a lógica se repete em ambientes corporativos, ela também se dá em ambientes familiares, nas relações com pais, entre casais, e nas ruas, e pode explicar boa parte dos casos de assédio, moral ou sexual, sofridos por mulheres em seu dia a dia. "A grande luta é quebrar estes paradigmas e trabalhar com a assertividade, para dizer, com firmeza, 'não' para o assédio", diz Vera, que acrescenta: "Quando você, mulher, se empodera, fica mais corajosa para se fazer respeitar em qualquer ambiente" . Neste sentido, aquelas "brincadeiras" de cunho sexual, em falas desrespeitosas e sem graça alguma, que muitas mulheres ouvem em seu dia a dia, não devem ser admitidas.

A seguir, cinco passos indicados pela especialista para ser assertiva e estabelecer limites ao assédio sexual:

1. Reavalie seu

Pare de achar "normal" uma brincadeira que se relacione a um possívelassédio sexual. A maioria das mulheres foi educada para se comportar comrecato, para não se expor ao risco de ser assediada. Quando o assédio de fatoacontece, algumas mulheres se sentem culpadas, e a tendência é justificar o comportamentodo "brincalhão" e, assim, evitar exposições e constrangimentos futuros. Algumasaté se submetem para evitar o confronto.

Mude seu pensamento e crie um novo olhar. Em uma situaçãode "brincadeira", todos se divertem e se sentem confortáveis. Quando, emuma "brincadeira", somente o seu agente se diverte, enquanto a mulherse sente constrangida, isso deve ter a aparência de um assédio sexual.

2. Tome consciência do seu estadoemocional diante de um possível assédio sexual

Diante de uma "brincadeira" a mulher pode se sentir confortável oudesconfortável.

Se você percebe boas intenções nela, provavelmente se sentirá àvontade, com prazer e conforto. Provavelmente, ela foi de fato apenas uma brincadeira paraalegrar o ambiente. Porém, se a sensação for de desconforto, osistema de alarme do seu cérebro foi acionado, avisando-lhe sobre uma possívelameaça ao seu "status quo". Nessa hora, você deve levar a sério a mensagem queseus circuitos neurais estão lhe enviando através desses mecanismosacionados para cuidar da sua sobrevivência.

3. Valide suas percepções da situação depossível assédio sexual

Nem toda situação obrigatoriamente será um assédio sexual. Daí a importânciade você validar suas percepções e consequentemente seus pensamentos para secercar de algumas evidências que comprovem o assédio antes de reagirdefensivamente, atacando o outro.

Pergunte-se: Como estou me sentindo? O que estou pensando? O que me causaesse medo? O que me leva a acreditar que isso é um assédio sexual? A pessoa sótem esse comportamento comigo ou com todas as mulheres? De 0 a 10, o quanto medesagrada? Por quê?

Se você entender que seu desconforto é pertinente e válido, vá ao próximopasso e resolva a situação.

4. Expresse seu desconforto e diga 'NÃO'

Procure ser firme, autoconfiante e elegante e expresse seu desconfortodiretamente para a pessoa que lhe causou esse mal estar. Gradue seu poder dedizer não.

Na primeira vez, diga:

"Eu me sinto desconfortável quando você me diz, faz ou escreve tal coisa.Peço que não repita esse comportamento comigo pois é uma situaçãoconstrangedora."

Se a pessoa insistir, aumente seu poder de dar limites e diga:

"Eu não quero, eu não gosto..."

Se a pessoa que está te assediando continuar insistindo e invadindo seuespaço vital, procure ajuda. Se for no seu trabalho, peça ajuda ao profissionalde Recursos Humanos. Se for na vida pessoal, peça ajuda de entidades e gruposque atuam na proteção da mulher.

5. Aceite e gerencie sua vulnerabilidade

Se você não consegue dizer "Não" por medo de encarar a situação, crie umarede de apoio e compartilhe sua dor, suas fragilidades com pessoas confiáveisou especialistas no assunto. Conte com o apoio dessas pessoas para ajudá-la asair bem da situação.

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