FBI prende suspeito por ataque a desfile de 4 de julho que deixou mortos e feridos

Moradores observam movimentação policial após ataque a tiros em Highland Park, no Estado de Illinois
Moradores observam movimentação policial após ataque a tiros em Highland Park, no Estado de Illinois

O FBI e a polícia de Highland Park, nos Estados Unidos, prenderam um suspeito de ser o autor do ataque a um desfile do Dia da Independência que deixou seis mortos e ao menos 24 feridos.

O suspeito é um homem branco de 22 anos chamado Robert "Bobby" E. Crimo 3º.

O ataque ocorreu por volta das 10h15 do horário local (às 12h30 no Brasil), 10 minutos após o início do evento. O suspeito teria disparado com um fuzil contra o público do evento depois de subir no teto de uma loja por meio de uma escada na lateral do edifício.

Cinco pessoas morreram no local e uma pessoa morreu no hospital após sofrer ferimentos graves, de acordo com a polícia.

A polícia disse que uma das vítimas era Nicolas Toledo, um homem de quase 70 anos, que foi ao desfile apenas porque precisa de cuidados em tempo integral e sua família não queria perder o evento.

Suspeito de ataque
Polícia diz que Robert 'Bobby' E. Crimo 3°, de 22 anos, é o principal suspeito do ataque

O comandante Chris O'Neill, da polícia local de Highland Park, disse que "evidências de armas de fogo foram localizadas" no telhado. Segundo ele, equipes da polícia local e do FBI participam das buscas ao atirador.

Enquanto o suspeito estava foragido, os moradores foram orientados a ficar em casa e entrar em contato com seus familiares para garantir que todos estejam seguros.

Como foi o ataque?

Highland Park fica próxima da cidade de Chicago, no Estado de Illinois. O desfile local de 4 de julho foi subitamente interrompido por vários disparos cerca de dez minutos após o início do evento.

Policiais em Highland Park
Ao menos seis pessoas morreram em ataque a tiros em desfile do Dia da Independência nos EUA

Miles Zaremski, que mora na região, disse ao jornal Chicago Sun-Times: "Ouvi de 20 a 25 tiros, em uma sequência rápida. Portanto, não poderia ter sido apenas uma pistola ou uma espingarda".

A BBC News conversou como outra testemunha do ataque, que estava a poucos metros do tiroteio.

"Foram cerca de cinco ou dez segundos de tiros muito rápidos. Eu não sei muito sobre armas, mas parecia semiautomática, o tipo de arma que libera muitas balas em um período de tempo muito curto", disse.

Noel Hara estava tomando café da manhã em uma loja depois de deixar seu filho no desfile de 4 de julho. "Umas 30 pessoas de repente vieram correndo gritando, e ficamos trancados no banheiro do Starbucks", disse Hara à BBC.

"Momentos depois, fomos retirados do café porque pensaram que o atirador estava tentando entrar pela porta dos fundos."

Hara finalmente conseguiu se reunir com seu filho depois de localizá-lo por meio de um aplicativo de rastreamento.

'Vamos superar'

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou sobre o ataque em um evento na Casa Branca. Ele afirmou que as comemorações de 4 de julho ocorrem em um "momento crítico, quando podem existir razões para pensar que este país está retrocedendo".

policial e carro de polícia na rua do ataque
Segundo a polícia, o atirador usava fuzil e ficou em telhado durante desfile

"Sei que pode ser cansativo e perturbador, mas vamos superar tudo isso", disse Biden.

O governador do Estado do Illinois, Jay Robert Pritzker, disse que ataques a tiros viraram "uma tradição americana semanal".

"Existirão pessoas que vão dizer que hoje não é o dia, que agora não é a hora de falar sobre armas. Estou dizendo a vocês que não existe melhor dia ou melhor hora do que aqui e agora", declarou Pritzker.

No mês passado, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que restringe a venda de armas no país. As novas medidas impediriam a venda de armas semiautomáticas para menores de 21 anos e proibiriam carregadores de grande capacidade.

À luz do ataque de hoje, o presidente americano afirmou: "Não há nada garantido em nossa democracia, nada garantido em nosso modo de vida".

Mas, em tom mais otimista, ele fez um "chamado para que a América avance com ousadia e sem medo".

Já o governador de Illinois, J.B. Pritzker, pediu que a população reze "pelas famílias que foram devastadas pelo mal desencadeado nesta manhã".

Ele também criticou a violência armada no país. "Nós nos manteremos firmes com os moradores de Illinois e os americanos: devemos - e vamos - acabar com essa praga de violência armada", escreveu no Twitter.

A prefeita de Highland Park, Nancy Rotering, disse que as celebrações de 4 de julho foram canceladas e pediu às pessoas que evitassem o centro da cidade.

"Em um dia em que nos reunimos para celebrar a comunidade e a liberdade, estamos lamentando a trágica perda de vidas", disse Rotering.

Outro incidente

À noite, durante uma queima de fogos em homenagem ao 4 de julho na cidade da Filadélfia, dois policiais foram atingidos por tiros. Jornais locais, citando o departamento de polícia, disseram que os agentes apresentavam "condição estável" e que o atirador estava sendo procurado.

Vídeos mostram pânico e confusão entre participantes do evento, que reuniu milhares de pessoas na Benjamin Franklin Parkway, um dos pontos mais conhecidos da cidade.

Série de ataques

O episódio em Highland Park é o terceiro ataque a tiros nos Estados Unidos neste ano. Os outros dois ocorreram em Uvalde, no Texas, e em Buffalo, no Estado de Nova York.

As mortes por armas de fogo são um grande problema na vida americana.

Somente em 2020, mais de 45 mil americanos foram mortos com disparos de armas de fogo, seja por homicídio ou suicídio - um recorde no país.

O número representa um aumento de 25% em relação ao cinco anos anteriores e de 43% em relação a 2010.

Mas a questão é altamente política, colocando os defensores de um maior controle da venda de armas e munição contra setores da população americana que defendem seu direito de portar armas.

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62044766

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