Cinco soldados turcos são mortos pelas forças do governo sírio

Soldados sírios apoiados pela Turquia se reúnem na vila de al-Mastumah, cerca de sete quilômetros ao sul da cidade de Idlib

Cinco soldados turcos foram mortos nesta segunda-feira (10) por tiros de artilharia do governo Bashar al-Assad, no noroeste da Síria - informou o Ministério turco da Defesa em um comunicado.

Ainda de acordo com a nota da pasta, cinco soldados ficaram feridos nesses tiroteios que atingiram posições turcas na província de Idlib. As forças turcas reagiram ao ataque.

Essas trocas de tiros ocorrem, enquanto uma delegação enviada pela Rússia, país que apoia o governo de Damasco, está em Ancara para discussões sobre a situação em Idlib.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), os disparos das forças de Assad atingiram soldados turcos destacados na base aérea de Taftanaz. O OSDH não divulgou um balanço de vítimas.

Na semana passada, oito militares turcos foram mortos em bombardeios sírios em Idlib, causando um aumento das tensões.

A Turquia respondeu com bombardeios pesados, matando pelo menos 13 soldados sírios, e ameaçou as forças de Damasco com mais represálias, no caso de um novo ataque.

Desde a última sexta-feira, 350 veículos cruzaram a fronteira sírio-turca para Idlib, segundo a agência estatal turca Anadolu.

Mais da metade da província de Idlib e setores próximos às províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latakia permanecem nas mãos dos extremistas do Hayat Tahrir al Sham (HTS, ex-al-Qaeda da Síria). Nesta região, de três milhões de habitantes, outros grupos jihadistas e rebeldes enfraquecidos também estão presentes.

Hoje, o diretor de Comunicação da Presidência turca, Fahrettin Altun, referiu-se a um "ataque vil" contra as forças turcas na província de Idlib.

"Após o ataque, houve uma resposta equivalente. Os alvos inimigos foram imediatamente destruídos, e o sangue de nossos mártires foi vingado", acrescentou.

Conforme a imprensa turca, após o ataque, o presidente Recep Tayyip Erdogan se reuniu com seu ministro da Defesa, Hulusi Akar.

Esse ataque pode provocar uma nova escalada entre a Turquia e o regime sírio.

Após uma troca de tiros na semana passada, o presidente Erdogan ordenou que a Síria recuasse na província de Idlib e pediu a Moscou que fizesse mais para controlar as forças do regime sírio.

O conflito na Síria já deixou mais de 380 mil mortos desde 2011 e forçou mais da metade da população pré-guerra - mais de 20 milhões - ao exílio.

A situação em Idlib é particularmente preocupante para Ancara, devido à sua proximidade com a fronteira turca.

O governo Erdogan teme que uma ofensiva em larga escala deflagre uma nova onda de migração para a Turquia, um país onde mais de 3,5 milhões de sírios já encontraram refúgio desde o início do conflito.