Cinco vezes em que Bolsonaro não foi exatamente um republicano

Foto: AP Photo/Pavel Golovkin

A Proclamação da República Brasileira aconteceu em 15 de novembro de 1889. Com ela, houve o fim da monarquia constitucional parlamentarista do Império e se estabeleceu a forma republicana presidencialista.

Um republicano é comumente respeitador da democracia e partilha de valores como igualdade, liberdade e respeito à dignidade humana.

Jair Bolsonaro, eleito o 38.º presidente da Republica no Brasil, desde antes de chegar ao posto mais alto da República foi criticado por não ser exatamente um republicano exemplar.

Relembre falas de Bolsonaro que não fazem dele um republicano exemplar:

  1. "Matando uns 30 mil”

Em 1999, quando ainda era deputado federal, Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil só melhoraríamos quando o Brasil partisse para “uma guerra civil aqui dentro”.

Em tom agressivo, ele atacou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e admitiu ser normal a morte de alguns inocentes.

“Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o [então presidente] FHC. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente".

  1. “Não te estupro porque você não merece”

Em 2003, o então deputado federal discutiu a também deputada Maria do Rosário (PT). A parlamentar disse que Bolsonaro ajudava a promover a violência de todos os tipos, inclusive a sexual. A resposta de Bolsonaro gerou revolta: "Jamais iria estuprar você, porque você não merece".

Em 2014, ele reiterou a ofensa, desta vez no plenário da Câmara dos Deputados:

"Não sai, não, dona Maria do Rosário, fica aí. Fica. Fica aqui para ouvir. Há poucos dias 'tu' me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu disse que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir."

  1. “Infartada ou com câncer”

Em 2015, o governo de Dilma Rousseff (PT) passava por uma crise institucional e era muito criticado pela imprensa e por seus opositores. Questionado sobre a permanência de Dilma no cargo, o então deputado federal afirmou:

“Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira.

  1. “Fuzilar a petralhada”

Quando já era um postulante ao posto que ocupa atualmente, Bolsonaro foi ao Acre e utilizou um tom nada republicano aos seus apoiadores do estado. A fala é lembrada até hoje como uma das mais não-democráticas da campanha eleitoral de 2018.

“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein? Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem de ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela, hein, galera. Vão ter de comer é capim mesmo”, disse enquanto levantava o tripé imitando estar atirando. Posteriormente, a assessoria do candidato confirmou sua fala, mas afirmou que “foi uma brincadeira como sempre”.

  1. “15 tiros nele e ponto final”

Em abril deste ano, em entrevista à TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro defendeu a flexibilização do porte de armas. O presidente afirmou que não incentiva ninguém a atirar em invasores porque, nesses casos, “tem que atirar e ponto final”.

“Não estou estimulando ninguém a atirar em quem entra em casa, não. Ele tem que atirar e ponto final. O cara entrou na sua casa, de noite, você tem que descarregar 15 tiros nele e ponto final. Não tem que discutir mais nada. O que o cara foi fazer na sua casa? Quando isso começar a acontecer, vai acabar a invasão de domicílio”.