Cineasta Cadu Barcellos será enterrado nesta quinta-feira, no Caju

O Globo
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RIO — O corpo do cineasta Cadu Barcellos, de 34 anos, href="https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/prefeitura-de-sp-descarta-volta-as-aulas-em-setembro-apos-teste-mostrar-alta-taxa-de-criancas-assintomaticas-24592134">descartou que as aulas presenciais, será enterrado nesta quinta-feira, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju. O velório teve início às 9h e o sepultamento será às 13h, reservados a família e amigos. O crime ocorreu na madrugada de terça-feira, dia 10, quando ele deixou um carro de aplicativo após uma carona com uma amiga ao saírem da Pedra do Sal, no Santo Cristo.

Cadu desceu do carro na esquina das avenidas Passos e Presidente Vargas por volta das três da manhã para seguir para casa, no bairro do Tanque, na Zona Oeste, quando foi abordado e esfaqueado no tórax. Ele chegou a correr até a esquina da Rua Uruguaiana, onde taxistas o socorreram e chamaram a polícia. PMs do 5º BPM (Praça da Harmonia) foram acionados, mas já o encontraram no chão sem vida.

Campanha de arrecadação

O cineasta deixa mulher e um filho de dois anos. Amigos e colegas de trabalho criaram, na tarde desta quarta-feira, uma campanha de arrecadação pela internet para dar apoio à família do jovem.

Uma das organizadoras da iniciativa é a diretora-geral do programa Greg News, no qual Cadu trabalhava há um ano, Alessandra Orofino. Ela explica que a ideia foi de arrecadar recursos para garantir os estudos do filho do cineasta. O recurso arrecadado será repassado integralmente à família, já com o pagamento dos impostos.

Ao longo do dia, amigos e coletivos sociais lamentaram a morte de Cadu Barcellos e falaram sobre e no dia a dia através de sua produção e seu engajamento.

Engajamento dentro e fora das artes

Carlos Eduardo Barcellos Sabino, de 34 anos, dedicou-se às artes para mostrar a vida real nas favelas cariocas. O cineasta Cadu Barcellos, como ficou conhecido, imprimia em seu trabalho as referências como morador do Complexo da Maré. Uma de suas obras de destaque é a participação no longa “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, de 2010, produzido por Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães, em que participou como diretor e argumentista no episódio "Deixa voar".

Dançarino, produtor, roteirista e professor, Cadu Barcellos também voou por meio de suas produções engajadas. O longa foi escolhido para a Seleção Oficial do Festival de Cannes, em 2010, e premiado em festivais como o Biarritz, na França, e o de Paulínia.

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A vida em comunidades sempre fez parte de sua carreira. No currículo, produções como a da série “Mais x favela” (2011), do canal a cabo Multishow, na qual foi diretor e roteirista, e do documentário “5x Pacificação”, de 2012, em que assina direção e roteiro ao lado de Wagner Novais, Rodrigo Felha e Luciano Vidigal.

Por trás de suas obras nas telas, Cadu foi o criador do Maré Vive, um canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa por moradores do Complexo da Maré. Desde os 17 anos, ele promovia cursos de internet e audiovisual em ONGs do Rio. Coordenou o projeto Jpeg, na ONG Promundo, em que liderava um grupo de jovens que promovia ações ligadas à saúde e à equidade de gênero.

Como dançarino, Cadu Barcellos participou do Corpo de Dança da Maré dirigido pelo coreógrafo Ivaldo Bertazzo, por 3 anos, com espetáculos que rodaram o país, no qual atuava e dançava.

Ele era assistente de direção no Porta dos Fundos, no programa “Greg News”, na HBO. Em nota, a equipe do Porta dos Fundos ressaltou o talento do cineasta e disse que espera por justiça.

"Hoje nós do Porta dos Fundos acordamos profundamente tristes com a notícia do falecimento de Cadu Barcellos, um profissional amável, gentil, talentoso e dedicado, que trabalhou com a gente como assistente de direção na temporada de 2020 do programa "Greg News" (HBO). Aguardamos a apuração dessa tragédia e esperamos pela justiça, cientes de que nada pode reparar a perda da vida de uma pessoa tão jovem e querida."