Cineasta e produtor cultural Cadu Barcellos era engajado dentro e fora de seu trabalho

O Globo
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RIO— Carlos Eduardo Barcellos Sabino, de 34 anos, dedicou-se às artes para mostrar a vida real nas favelas cariocas. O cineasta Cadu Barcellos, como ficou conhecido, imprimia em seu trabalho as referências como morador da Maré. Em uma de suas obras de destaque, está a participação no longa “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, de 2010, produzido por Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães, o qual participou como diretor e argumentista no episódio "Deixa voar".

Dançarino, produtor, roteirista e professor, Cadu Barcellos também voou por meio de suas produções engajadas. O longa foi escolhido para a Seleção Oficial do Festival de Cannes, em 2010, e premiado em festivais como o Biarritz, na França, e o de Paulínia.

A vida em comunidades sempre fez parte de sua carreira. No currículo, produções como a da série “Mais x favela” (2011), do canal a cabo Multishow, na qual foi diretor e roteirista, e do documentário “5x Pacificação”, de 2012, em que assina direção e roteiro ao lado de Wagner Novais, Rodrigo Felha e Luciano Vidigal.

Por trás de suas obras nas telas, Cadu foi o criador do Maré Vive, um canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa por moradores de diversas do Complexo da Maré. Desde os 17 anos, ele promovia cursos de internet e audiovisual em ONGs do Rio. Coordenou o projeto Jpeg, na ONG Promundo, em que liderava um grupo de jovens que promovia ações ligadas à saúde e à equidade de gênero.

Ele estudou audiovisual na Escola Popular de Comunicação Critica (ESPOCC) no Observatório de Favela, em 2006. A passagem pelo curso, depois como professor, foi inspiração Raull Santiago, entre muitos. O ativista, gestor de projetos sociais do terceiro setor e produtor cultural,contou em suas redes sociais a influência de Cadu em seus projetos, todos voltados a atender moradores de favela e a fomentar a cultura local. Na mensagem de pesar pela morte do cineasta, a amizade que se fortaleceu:

"[QUE PERDA INESTIMÁVEL]

Cadu Barcellos foi meu professor na ESPOCC - Escola Popular de Comunicação Crítica. Uma das primeiras referências que tive de uma pessoa jovem e de favela, fazendo a diferença no a partir do local onde vivia. Carismático, empreendedor e inspirador, me ajudou muito nessa vida. Ajudou literalmente, de bom ouvinte, bom conselheiro, até emprestar grana em momentos que passei muito mais perrengue no passado. Cadu me inspirou de muitas formas e foi uma daquelas pessoas que eu olhava lá em cima, grande, potente, trilhando um caminho que abriu portas para a favela. Eu realmente estou sem chão! Minhas amizades dessa época estão entre as minhas maiores inspirações vivas. E você foi importante para eu chegar nos lugares que estou hoje, irmão. Que dia terrível. Obg por tanto, mano. Valeu, Cadu!", publicou Raull Santiago.

Como dançarino, Cadu Barcellos participou do Corpo de Dança da Maré dirigido pelo coreógrafo Ivaldo Bertazzo, por 3 anos, com espetáculos que rodaram o país, no qual atuava e dançava.

Atualmente, era assistente de direção no Porta dos Fundos, no programa “Greg News”, na HBO.