Cineasta iraniano é libertado de prisão após quase cinco meses

BEIRUTE (Reuters) - O cineasta iraniano Keywan Karimi foi libertado depois de quase cinco meses na prisão de Evin, em Teerã, sob a acusação de fazer "propaganda contra o Estado" e de "insultar valores sagrados", informou nesta quinta-feira a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), um site de notícias gerido por um coletivo de defensores de direitos humanos iranianos

Karimi, de 31 anos, foi solto na quarta-feira, disse a HRANA.

As acusações se devem a um documentário de Karimi sobre grafites políticos em Teerã intitulado "Escritos na Cidade". Em 2015, Karimi foi considerado culpado e condenado a seis anos de prisão e 223 chibatadas, mas subsequentemente uma corte de apelações reduziu a sentença para um ano de reclusão.

Desde dezembro passado, ao menos 22 jornalistas e ativistas foram presos, de acordo com o Centro de Direitos Humanos no Irã, uma organização de pesquisa e defesa sediada em Nova York. Muitos estão sendo mantidos em solitárias, sem acesso a familiares ou advogados.

Cerca de uma dúzia dos presos eram administradores de canais pró-reforma no Telegram, um aplicativo de comunicação usado por milhões de iranianos. Eles foram detidos em meados de março, embora alguns tenham sido libertados logo em seguida.

As prisões representam um desafio ao presidente do Irã, Hassan Rouhani, que prometeu ampliar as liberdades dos cidadãos comuns se fosse eleito e se inscreveu para concorrer nas eleições presidenciais de 19 de maio.

O judiciário iraniano não emitiu nenhum comunicado sobre Karimi nesta quinta-feira, mas a HRANA disse que ele foi solto de Evin em "liberdade condicional".

(Por Babak Dehghanpisheh)