Cinegrafista diz que equipe de Tarcísio pediu sua demissão a emissora após divulgação de áudio

O repórter-cinematográfico Marcos Andrade, da Jovem Pan, afirmou que a equipe de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) pediu sua demissão à emissora após a divulgação de um áudio em que um dos integrantes da campanha o pressiona para apagar um vídeo. A declaração foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. A campanha do candidato ao governo de São Paulo nega.

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O episódio aconteceu no último dia 17, quando um tiroteio interrompeu um evento da campanha de Tarcísio na favela paulistana Paraisópolis e deixou um suspeito morto. Andrade foi o único câmera a gravar partes mais explícitas do confronto. E, segundo mostra o áudio, um dos integrantes da equipe de Tarcísio pede para que o cinegrafista apague o vídeo. "Tem que apagar essa imagem. Não pode divulgar isso, não", diz o funcionário na gravação, divulgada pela Folha.

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Andrade diz que o vídeo mostra pessoas à paisana atirando e também Tarcísio com sua equipe saindo do prédio em que ocorria o evento e indo para o estacionamento. Antes disso, o repórter-cinematográfico relata ter escutado rajadas de arma de fogo e ter visto motos passando pela rua.

A campanha de Tarcísio afirma que "o integrante da equipe perguntou ao cinegrafista se ele havia filmado aqueles que estavam no local e se seria possível não enviar essa parte do vídeo para não expor as pessoas que estavam lá". O questionamento, segundo a equipe do candidato, ocorreu após a comitiva de Tarcísio e profissionais de imprensa terem deixado Paraisópolis, quando eles foram levados na van do político para a sede da campanha. Conforme a equipe, eles haviam pedido na van "que não fossem feitas imagens internas do carro e nem na chegada da base de trabalho da equipe para que ninguém fosse exposto dada a gravidade do ocorrido".

A equipe de Tarcísio afirma ainda que "não houve qualquer pressão da campanha para que o cinegrafista fosse demitido".

"No dia do ocorrido, inclusive, ele fez um vídeo emocionado dentro da van, agradecendo o Tarcísio por tê-lo tirado do local do tiroteio. No dia seguinte, na chegada a uma sabatina da Jovem Pan, o próprio cinegrafista fez questão de receber e agradecer Tarcísio mais uma vez, além de tirar fotos e dizer que toda a família estava muita agradecida pelo que havia sido feito por ele", diz a campanha.

Andrade disse à Folha que "houve comunicação da equipe (do Tarcísio) com a empresa (Jovem Pan) cobrando uma postura da empresa de desligamento". Ele afirma que a Jovem Pan sugeriu que ele gravasse um vídeo para o candidato. "Não sei se para usar para campanha, mas é de um jeito para eles ficarem bem com esse pessoal. Aquela conversa de que seria legal. Em nenhum momento eles me coagiram a gravar nada", declarou.

A Jovem Pan, por meio de nota à Folha, declarou ter exibido todas as imagens feitas durante o tiroteio. "O trabalho do cinegrafista permitiu que a emissora fosse a primeira a noticiar o ocorrido no local. Não houve contato da campanha do candidato Tarcísio com a direção da emissora com o intuito de restringir a exibição das imagens e, por consequência, o trabalho jornalístico", afirmaram.

O integrante da equipe de Tarcísio que pede que o vídeo seja deletado foi atribuído por reportagem do site The Intercept Brasil como Fabrício Cardoso de Paiva, um agente licenciado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Andrade também o reconheceu por meio de fotografias.

Tarcísio inicialmente se referiu ao tiroteio como um ataque à sua candidatura. O episódio chegou até a ser usado em propaganda eleitoral na TV do presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Tarcísio. Investigação da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, no entanto, nega que o caso seja um atentado.

O candidato do Republicanos depois apontou que o tiroteio foi uma reação pela presença de policiais e pessoas que não eram da região no local, sem aviso à comunidade da visita. O candidato também negou, no segundo momento, que os tiros fossem um ataque à sua candidatura ou uma reação a ele.

À frente da investigação do caso, a delegada Elisabete Sato afirmou na semana passada que a hipótese principal é que os suspeitos tenham tentado intimidar policiais que estavam presentes no local após terem notado a presença dos agentes na região.