Fome, atraso e lacração: o que você não viu do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

"Marighella", de Wager Moura, foi o grande vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (foto: Roberto Filho / BrazilNews)
"Marighella", de Wager Moura, foi o grande vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (foto: Roberto Filho / BrazilNews)

Resumo da Notícia:

  • Grande Prêmio do Cinema Brasileiro foi realizado no Rio de Janeiro

  • O evento celebrou o melhor do audiovisual nacional em 32 categorias

  • Longa e desgastante, a cerimônia pode ser revista para 2023

O Rio de Janeiro recebeu a 21ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro nesta segunda-feira (11). O reencontro dos realizadores do cinema e audiovisual brasileiro lotou a grande sala da Cidade das Artes Bibi Ferreira, mas o Yahoo te conta o que aconteceu nos bastidores.

A premiação, e a pré, foi transmitida ao vivo pelo Canal Brasil e no Youtube da Academia Brasileira de Artes Audiovisuais e os cinéfilos do país que estavam ansiosos tiveram que esperar bastante. Isso porque o evento que estava marcado para começar 21h entrou no ar com um número icônico de Silvero Pereira às 21h40.

O tapete vermelho e o foyer do teatro foi aberto para os convidados às 20h com champanhe, cerveja e água, que eram servidas entre abraços e brindes. A imprensa apertada em uma área, com até um segurança vigiando, entrevistou e fotografou a maioria dos convidados.

Mas nem todos queriam passar pelo tapete vermelho montado, como Adriana Esteves, indicada ao prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em “Marighella”. A veterana, quando viu que tinha um batalhão de câmeras e repórteres a esperando, pediu à organização para entrar no evento por outro lugar. Sem sucesso, entrou, posou para fotos e deu entrevistas curtas, mas pontuais.

Diferente da eterna Carminha, Francisca e Ricardo Pereira fizeram questão de passar pelo tapete vermelho e até atravessaram a área de imprensa para as fotos. Quem também entrou do foyer para o tapete vermelho foi Roberto Birindelli, mas ele precisou dar duas viagens porque na primeira o espaço estava cheio.

Já na Grande Sala, como é chamado o teatro onde aconteceu a premiação, Camila Pitanga entrou no palco cantarolando seu desejo para as próximas eleições: “E a gente quer Lula de novo”. Animado, o público correspondeu e aplaudiu, gritou, se animou e cantou o famoso ‘olê, olê, olá’ do candidato por quase um minuto. O tempo pode parecer pouco, mas na TV é uma eternidade e foi ouvida ao vivo.

Antes dos 32 (sim, caro leitor, trinta e dois) prêmios entregues aos membros da indústria, falas institucionais da Academia e da Prefeitura do Rio confirmaram o tom político e, claramente, contra o governo que está vigente ao menos até 31 de dezembro de 2021.

Já era 0h quando o GPCB ainda entregava as estatuetas de documentários e parte da plateia já tinha desistido de saber quem seriam os grandes vencedores. Vários bancos vazios mostravam como 32 prêmios em uma única noite tornavam o evento cansativo.

Outro ponto que causou desconforto geral foi a fome. Vários dos convidados chegaram às 20h e, quatro horas depois, o evento ainda não estava perto do fim. Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso foram socorridos com uma pipoca para aguentar a próxima meia hora do evento, que terminou perto de 0h30 com a premiação de “Marighella” como melhor filme. A programação do Canal Brasil já mostrava a exibição de um filme nacional e o prêmio seguia na tela.

Na despedida, ao deixar a plateia, a organização colocou alguns pasteis e empadas frias para matar a fome urgente do público, que atacou. Também tinham tomates e queijo branco, torradas com rosbife frio e caponatas geladas. Deu para quem quis? Não. Mas certamente ajudou quem precisava seguir para casa perto de 1h da manhã.

Público, com fome, após o fim da premiação perto de 1h da manhã no foyer do teatro (foto: Rogerio Resende / BrazilNews)
Público, com fome, após o fim da premiação perto de 1h da manhã no foyer do teatro (foto: Rogerio Resende / BrazilNews)

Nos corredores do prêmio ouvia-se uma dica importante para a Academia Brasileira de Artes Audiovisuais: dividir a premiação, entregar uma parte dos prêmios online com a presença dos influenciadores de cinema. É lindo unir a sétima arte e a novidade do streaming, mas uma premiação monótona e longa vira um martírio para os membros da indústria.