Cinturão da Ferrugem deve decidir eleição presidencial dos EUA outra vez

MARINA DIAS
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WILMINGTON, DELAWARE, EUA (FOLHAPRESS) - Assim como em 2016, os estados do Meio-Oeste americano, no chamado Cinturão da Ferrugem, devem decidir a eleição à Casa Branca. Os primeiros resultados da noite desta terça-feira (3) e da madrugada desta quarta (4) abriram caminho para Donald Trump seguir na disputa à reeleição e mostraram que a corrida não teria ampla vantagem para Joe Biden, ao contrário do que mostravam as pesquisas. Perto da meia-noite (2h de Brasília), as projeções indicavam que Trump venceria na Flórida, estado que era considerado indefinido e decisivo na disputa. Biden estava à frente nas pesquisas ali, com média de dois pontos percentuais, mas não teve bom desempenho entre os latinos -20% dos eleitores do estado-, o que pode ter lhe custado a vitória na região. Assim, os holofotes se viraram mais uma vez para Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, que tinham votado duas vezes em Barack Obama, mas, em 2016, optaram por Trump por uma margem bastante apertada. Em Ohio, outro estado que integra o cinturão, Trump foi o vencedor, segundo projeções de New York Times e CNN. Com 18 delegados no Colégio Eleitoral, era considerado uma das regiões em que a disputa estava em aberto. Candidatos que venceram Ohio também ganharam a eleição nacional em praticamente todos os pleitos desde 1860. Houve apenas quatro exceções: 1884, 1892, 1944 e 1960. Parte da região da Cinturão da Ferrugem teve a apuração atrasada devido ao recorde de votos por correio, o que poderia arrastar o resultado final por dias -Pensilvânia e Michigan eram dois dos estados que levariam mais tempo para contar os votos, com prazos até o final da semana. A classe trabalhadora do cinturão, dizendo-se cansada da política tradicional, votou em Trump há quatro anos, embalada no discurso de que ele era um outsider. Biden luta para reconquistar os estados. Arizona, Carolina do Norte, Geórgia e Texas, também decisivos na corrida, não tinham nem mesmo projeções perto das 23h. Biden estava na frente no Arizona, e os outros apresentavam tendência de vitória para o republicano. Ainda assim, os índices ainda flutuavam bastante, principalmente pelas distorções do início da contagem, causadas pelo recorde de votos por correio. Isso porque a maior parte dos votos antecipados por correspondência era de democratas, e contabilizá-los leva mais tempo do que contar os registrados presencialmente. Estados que apuram primeiro os votos presenciais, portanto, poderiam dar vantagem inicial para Trump, porque essa é a modalidade mais usada por republicanos, mas nada impede que o cenário mude conforme a contagem avance, com a entrada dos votos feitos por correspondência, de maioria democrata. Segundo projeções do site especializado FiveThirtyEight, Trump tinha, de saída, 125 dos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para ser eleito. Os votos são provenientes de 20 estados em que liderava com folga, de tradição republicana, como Tennessee e Indiana, cujas projeções de vitória de Trump já haviam saído às 21h (23h no horário de Brasília). Biden, por sua vez, tinha 212 votos de início, de 17 estados mais o Distrito de Columbia, que costumam votar em democratas. Nova York e Illinois eram dois deles, e suas projeções de vitória para Biden também já haviam sido feita no início da noite. Para vencer a eleição americana, o candidato precisa de 270 dos 538 votos do Colégio Eleitoral -sistema indireto que escolhe o presidente dos EUA.