Circuito mundial de surfe adia início até o fim de junho

Renato de Alexandrino
Palco da etapa brasileira do circuito mundial de surfe, Saquarema ainda não sabe quando receberá o campeonato em 2020

O circuito mundial de surfe deste ano ainda não tem data nem local para começar. A World Surf League (WSL) anunciou nesta terça-feira mais um adiamento de seus eventos, desta vez até o fim de junho. O Oi Rio Pro, etapa brasileira do tour, que estava marcada para iniciar em 18 de junho, em Saquarema, não tem nova data, podendo ser realizado em qualquer mês do segundo semestre.

- Não sabemos quando será possível viajar para os países, como serão as restrições de cada lugar. Vamos realizar outra 'chamada' em 1º de junho, sem saber ainda onde e quando começar o tour - explicou Erik Logan, CEO da WSL, em entrevista ao GLOBO.

Erik conversou com O GLOBO por videochamada direto de sua casa em Manhattan Beach, na Califórnia. Ao fundo, várias pranchas estavam penduradas, 'acumulando poeira', como ele brincou:

- Estou ficando em casa, fazendo minha parte, sem surfar. E o pior é que as ondas têm estado perfeitas - lamentou Erik.

Perder uma boa sessão de surfe, porém, é a menor das preocupações do momento de Erik Logan, que assumiu o cargo de CEO da WSL. Com a pandemia do novo coronavírus, o circuito mundial virou uma grande incógnita. Até agora, apenas a etapa de abertura, na Gold Coast australiana, foi cancelada. Outros quatro campeonatos (dois na Austrália, um na Indonésia e o de Saquarema) estão adiados sem nova data definida.

- Estamos adiando os eventos para manter opções. Existe a questão da temporada de boas ondas. Em Bells e Margaret River (na Austrália), temos chance de boas ondas durante quase todo o ano, assim como em Saquarema. É difícil saber agora qual será a ordem do circuito - disse Erik.

O Championship Tour, circuito de elite do surfe mundial, tinha 11 etapas programadas, distribuídas por oito países. Erik Logan evita falar em um número mínimo de eventos para coroar um campeão. Em 2001, por conta dos atentados terroristas às torres gêmeas em Nova York, o circuito teve apenas cinco etapas.

- Não temos um 'número mágico'. Queremos realizar eventos suficientes para testar os surfistas em condições diferentes e coroar um campeão mundial.

Entre toda as dúvidas envolvendo datas e locais, parece certo que, quando o circuito enfim puder ser disputado, não será possível ter aglomerações de público na praia como as que caracterizaram a etapa brasileira. Os eventos no Postinho e Saquarema sempre foram elogiados pela WSL pela energia da torcida verde-amarela.

- Meu Deus, sim - lamenta Erik sobre a possibilidade de campeonatos sem torcida. - É uma pandemia global, não podemos ameaçar a vida das pessoas. Sabemos que atraímos aglomerações, especialmente em Saquarema, e teremos que ser muito cautelosos. Vamos pensaar que milhões de pessoas ao redor do mundo poderão acompanhar as transmissões online.

Em meio à preocupação com a saúde, há também a questão econômica. A pandemia do novo coronavírus surgiu no que Erik Logan classifica como "um dos melhores momentos econômicos da liga". Com o circuito parado, a situação

- Estamos sentindo, claro, mas estou confiante que assim voltarmos estaremos bem.