Ciro aponta metralhadora verbal para PT e Forças Armadas

Ciro Gomes (PDT) durante debate entre candidatos à presidência da República, promovido pela TV GAZETA, na Avenida Paulista. Foto: Ronaldo Silva/Futura Press

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta quarta-feira (12) que o ex-presidente Lula está isolado na cadeia e perdeu a visão adequada da realidade porque está “cercado por puxa-sacos”.

A declaração foi dada ao comentar a insistência do PT em manter o pedido de candidatura do ex-presidente até esta terça (11), quando foi oficializada a substituição por Fernando Haddad (PT).

“O PT só pensa em si. Lula temos que relativizar porque ele está isolado. Lula está com problema. Ele perdeu os grandes amigos: Marcio Thomaz Basto, [Luiz] Gushiken, dona Marisa [Letícia], [José] Dirceu, [Antônio] Palocci. Lula está cercado de puxa-saco e perdeu um pouco da visão genial que ele tem da realidade”, disse ele, em sabatina do jornal O Globo.

Ele voltou a dizer que foi sondado para assumir a vice na chapa de Lula nas mesmas condições que Haddad. Afirmou que foi abordado por Dilma Rousseff e Roberto Requião a fim de convencê-lo a abandonar a candidatura próprio pelo projeto do PT.

“Fui cercado por 48 horas para ir a Curitiba, conversar com Lula. Dilma, Requião, intermediando essa conversa. A proposta era que eu aceitasse ser o vice do Lula Agradeci a honra, mas acho que não é a forma de construir uma liderança para o país”, disse ele.

Ciro disse que vai “evitar intriga” com Haddad. Pesquisas apontam que parte do eleitorado de ambos tem o mesmo perfil, o que indica que os dois disputaram a mesma fatia de votos.

“Vai ser um intrigalhada infernal. Vou evitar essa intriga. Acho que o Haddad é um boa pessoa. Tenho por ele afeição, respeito e carinho. Sou um pouco mais largo que ele. Falo à centro esquerda. Negando o PT, quero que o Brasil saia dessa contradição odienta que está partindo para a violência”, afirmou, em sabatina do jornal O Globo.

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Apesar da deferência, Ciro disse que a insistência do PT em manter a candidatura de Lula torna Haddad um “presidente por procuração”, se eleito.

“Não é a forma de construir uma liderança para o país. Brasil não precisa de um presidente por procuração. Por mais que seja um respeitável outorgante. Brasil não aguenta mais uma outra Dilma. Não é por nenhum demérito do Haddad. Ele não conhece o Brasil”, declarou o pedetista.

Forças Armadas

O presidenciável também fez duras declarações voltadas às Forças Armadas. Ciro afirmou que o comandante do Exército, general Villas Bôas, “provavelmente pegaria uma cana” por afirmar que o próximo presidente eleito poderá ter a “legitimidade questionada”. E classificou o general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), como um “jumento de carga”.

“No meu governo, militar não fala em política. Ele estaria demitido e provavelmente pegaria uma cana. Ele está fazendo isso para tentar calar a voz das cadelas no cio que estão se animando. Esse lado fascista do povo brasileiro”, afirmou o pedetista.

Ciro afirmou que a relação com as Forças Armadas num eventual governo seu será: “Eu mando e eles obedecem”. Ele fez críticas pesadas ao vice de Bolsonaro.

“General Mourão é um jumento de carga. Acha que tem o poder. Disse que são os profissionais em violência. Olha para quem estamos ameaçando entregar nosso país”, declarou o pedetista.