Ciro Gomes chama Cuba de ditadura, culpa EUA e faz crítica ao PT e Bolsonaro

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The candidate for the Presidency of the Republic, Ciro Gomes, was at the headquarters of the Brazilian Society for the Advancement of Science (SBPC) in Sao Paulo on September 18, 2018. He answered questions from the scientific community about the plans for ST & I, if elected.
 (Photo by Dario Oliveira/NurPhoto via Getty Images)
Na última terça-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o governo de Cuba após os protestos que ocorrem em diversas regiões do país (Foto: Dario Oliveira/NurPhoto via Getty Images)
  • Pré-candidato à presidência da República em 2022, Ciro Gomes criticou a posição do PT sobre os protestos em Cuba e a política externa do governo Bolsonaro

  • O ex-ministro afirma que os bloqueios econômicos impostos pelos EUA "aumenta o sofrimento do povo" e "viola o direito internacional"

  • No entanto, ele, que prega a autodeterminação "do povo cubano", diz isso não significa a "aceitação da supressão das liberdades políticas de Cuba"

Pré-candidato do PDT à presidência da República em 2022, Ciro Gomes criticou a posição do PT sobre os protestos em Cuba e a política externa do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em um vídeo publicado nas redes sociais, nesta sexta-feira (16), o ex-ministro chamou a ilha de "ditadura" e culpou ainda os EUA pela crise econômica do país.

"A política exterior de que o Brasil precisa não deve seguir o figurino da política exterior do PT, marcada por um velho tipo de esquerdismo, que no Brasil se acocorava diante do capital e, fora do Brasil, encenava um terceiro mundismo barulhento, vistoso e inconsequente, com desculpas às ditaduras esquerdistas", disse.

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Ciro, no entanto, fez críticas a atual política externa brasileira do governo Bolsonaro. Segundo ele, que alegou "não temer esse debate", é "preciso ter coragem e isenção"

"A política externa brasileira não pode ser condescendente com o desrespeito à soberania de Cuba, como é agora no governo Bolsonaro. Nem deve seguir o figurino da política exterior do PT. É preciso coragem e isenção. Não temo este debate", afirmou.

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"Cuba não é uma democracia, ninguém pode saber ao certo se a ditadura conta ou não com a o apoio da maioria. Causa indignação ver cidadãos serem assaltados nas ruas por capangas à paisana que integram o aparato de segurança da ditadura", avaliou.

Former Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva gives a statement to the media after being detained for questioning in a federal investigation of a bribery and money laundering scheme in Sao Paulo, Brazil, March 4, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker      TPX IMAGES OF THE DAY
Na mesma publicação, o ex-presidente atacou os EUA, alegando que a ilha cubana sofre "60 anos de bloqueio econômico dos EUA, ainda mais com a pandemia, é desumano" (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Lula defende governo cubano após protestos

Na última terça-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o governo de Cuba após os protestos que ocorrem em diversas regiões do país, desde o último domingo (11). Como um dos argumentos, Lula comparou a ação dos militares da ilha com a truculência policial nos Estados Unidos.

"Já cansei de ver faixa contra Lula, contra Dilma, contra o Trump... As pessoas se manifestam. Mas você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele... Os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos", escreveu o ex-presidente em uma rede social.

Na mesma publicação, o ex-presidente atacou os EUA, alegando que a ilha cubana sofre "60 anos de bloqueio econômico dos EUA, ainda mais com a pandemia, é desumano".

"Os americanos precisam parar com esse rancor. O bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra. Do que os EUA tem medo? Eu sei o que é um país tentando interferir no outro", disse.

Para Lula, o bloqueio econômico norte-americano atrapalha Cuba. Segundo ele, o país tem "um povo intelectualmente preparado" e, caso não tivesse o entrave com os EUA, "poderia ser uma Holanda".

Bloqueios ficaram mais rígidos no governo Trump

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que também é líder do Partido Comunista Cubano, se pronunciou em rede nacional de televisão e rádio, junto com outros membros do governo, sobre os protestos.

Segundo o presidente, grande parte das dificuldades enfrentadas pelos cubanos são consequência do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.

Este bloqueio, lembrou Díaz-Canel, ficou mais duro em 2019, depois de uma decisão do ex-presidente Donald Trump e que ainda não foi revista pelo atual presidente Joe Biden.

“Se querem ter um gesto com Cuba, se de verdade se preocupam, abram o bloqueio e vamos ver como tocamos”, declarou.

A man holds a Cuban flag during a rally in solidarity with protesters in Cuba, in Little Havana neighborhood in Miami, Florida, U.S. July 14, 2021. REUTERS/Marco Bello
Os manifestantes expressaram seu descontentamento com a atual situação econômica e social do país, muito agravada durante a pandemia de Covid-19 (Foto: REUTERS/Marco Bello)

Protestos em Cuba

No último domingo (11), protestos contra o governo cubano eclodiram em diversas cidades da ilha e em Miami, nos Estados Unidos. Os manifestantes expressaram seu descontentamento com a atual situação econômica e social do país, muito agravada durante a pandemia de Covid-19.

De fato, em 2020, o PIB cubano caiu 11%. Além disso, o país, que depende de importar 70% de tudo que consome, sofre com escassez, causada principalmente pelo fechamento das fronteiras por conta da pandemia e pelo bloqueio econômico norte-americano.

Há também menos voos internacionais, o que diminuiu a entrada de dólares na ilha enviados por cubanos que vivem em outros países, em especial nos Estados Unidos. Segundo dados oficiais, 65% das famílias cubanas recebiam ajuda de parentes.

Outra perda econômica para o país foi na área do turismo, que é uma das principais fontes de recursos e responde por 10% do PIB do país, somando áreas relacionadas, como a gastronomia.

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