O que mantém a pré-candidatura de Ciro Gomes de pé?

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Ciro Gomes speaks during the national convention of the Democratic Labor Party (PDT), in Brasilia, Brazil January 21, 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino
O (ainda) pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-presidente Lula (PT) atinge 50% ou mais dos votos no primeiro turno em dois cenários apurados pela Genial/Quaest no levantamento divulgado no início da semana. Os dois cenários suprimem da pesquisa estimulada o nome de Ciro Gomes (PDT).

Em um desses quadros, João Doria (PSDB) aparece como candidato único da terceira via e soma 5% das intenções de voto. Jair Bolsonaro (PL) surge na segunda colocação, com 33%, e Lula fica à frente, com 50%.

Em outro, a terceira via é encabeçada por Simone Tebet (MDB). A senadora somaria 4% dos votos, contra 33% de Bolsonaro e 51% de Lula.

No cenário em que todas as opções hoje ensaiadas vão a campo –Lula, Bolsonaro, Ciro, Doria e Tebet, além de André Janones (Avante), Felipe D’Ávila (Novo) e Luciano Bivar (União Brasil) —, o petista surge à frente com 46%. O atual presidente teria 29% e o ex-governador do Ceará, 7%.

Ciro só atinge 10% das preferências num quadro sem nenhum outro concorrente da chamada terceira via.

Ou seja: se a eleição fosse hoje, não seria Bolsonaro, mas Ciro quem impediria a vitória de Lula na primeira fase da campanha.

A menos de cinco meses da eleição, o pré-candidato do PDT sabe que tem tantas chances de alterar esse quadro quanto o Canadá de levar a Copa do Mundo no fim do ano. Outras pesquisas atestam a dificuldade de Ciro decolar. No último levantamento do Ipespe ele soma 8% das preferências.

Ciro tem centrado fogo no candidato petista. A postura virou munição para grupos bolsonaristas no WhatsApp, que já chamam o ex-ministro de Lula de “cabo eleitoral”.

A pressão sobre a candidatura do pedetista ocorre em várias frentes. As pesquisas são uma delas.

Outras, partem do próprio PDT, já assediado pelo PT em troca de alianças em alguns estados. Ao todo, sete legendas estão com Lula neste momento. Ciro, que no ano passado suspendeu a pré-campanha em protesto contra o apoio do PDT à PEC dos Precatórios, sonha apenas em trazer o PSD, também na área de influência petista, para seu barco.

Eleitores que até ontem tinham simpatia de Ciro e que hoje veem em Lula como a única opção viável para vencer Bolsonaro em outubro são outro fator de pressão —uma pressão ouvida principalmente nas redes sociais.

A consciência do ex-ministro dos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso também, a essa altura, deve pesar. (Sergio Moro, agora no União Brasil, tirou o time de campo por muito menos).

Como um dirigente esportivo que vai a público bancar o treinador pressionado (geralmente, a antessala da demissão), Ciro gravou um vídeo para suas redes dizendo que sua candidatura está de pé e que não vai desistir.

Sua insistência parte da ideia de que Bolsonaro só chegou até onde chegou em 2018 por causa do antipetismo. E só demonstra resiliência hoje, após a tragédia de seu governo, por conta do…antipetismo.

A tese de Ciro Gomes é que o desastre bolsonarista não obscureceu a memória recente da recessão dos últimos anos do PT no governo.

Esse fenômeno, aposta o pedetista, faz com que, numa disputa entre os dois favoritos, só Bolsonaro tenha por onde crescer na campanha.

Ciro acredita que, em algum momento, o antipetismo entrará em campo e fará a candidatura de Lula derreter. Enquanto ele estiver no páreo, haveria, portanto, possibilidade de evitar com que Bolsonaro, e não Lula, levasse no primeiro turno.

Só que a pesquisa Genial/Quaest chegou como um balde de água nessa estratégia. O levantamento leva em conta o índice de rejeição de candidatos entre entrevistados que já os conhecem –em outros institutos, o índice pode estar subestimado e crescer à medida que o nome passa a ser conhecido dos eleitores.

Nessa fatia, Lula é hoje rejeitado por 43% dos eleitores que o conhecem. Um número alto, é verdade, mas ainda inferior ao registrado por Ciro Gomes (55%). O recordista de rejeição é Bolsonaro, empatado numericamente com João Doria (59%).

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