Ciro Gomes repudia invasão à rádio em Pernambuco e pede investigação: 'Não podemos tolerar'

Louise Queiroga
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O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) usou suas redes sociais nesta quinta-feira, dia 8, para condenar a invasão a uma rádio em Pernambuco na terça-feira, quando homens entraram no estúdio reclamando, em tom de ameaça, do locutor que havia criticado a forma como o presidente Jair Bolsonaro vem lidando com a pandemia da Covid-19 no país. Um vídeo do momento repercutiu na internet.

"Não podemos tolerar a invasão de uma rádio e tentativa de agressão pelo simples fato de criticarem Bolsonaro. Que a Polícia e o MP investiguem e punam os marginais! Minha solidariedade ao radialista Júnior Albuquerque e a todos da Rádio Comunidade de Santa Cruz do Capibaribe(PE)", disse Ciro Gomes, que se candidatou à presidência em 2018.

O caso ocorreu no estúdio da Rádio Comunidade, em Santa Cruz do Capibaribe (PE), a cerca de 190 quilômetros de Recife. Parte da confusão foi filmada — com o locutor sentado usando máscara branca, sendo alvo de comentários de um homem em pé que coloca uma máscara preta enquanto se aproxima dele.

De acordo com o delegado Ênio Maia, responsável pela investigação, o radialista relatou que o homem que aparece no vídeo teria invadido a emissora durante o programa de rádio "para lhe agredir fisicamente". Apesar dos relatos de que ele estaria acompanhado por outros homens, o registro de ocorrência de ameaça menciona apenas este indíviduo.

— A vítima vai ser intimada para assinar um termo de representação criminal contra o investigado para iniciar o procedimento criminal. A partir daí o investigado será intimado para assinar termo de compromisso para comparecer no juizado especial criminal para responder pelo crime de ameaça em razão da pena ser inferior a 2 anos — afirmou Maia.

Sobre o episódio, a Associação das Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco (Asserpe) também emitiu uma nota condenando o que classificou como "invasão de um estúdio de rádio" que pode abrir um "perigoso precedente que ameaça todos os veículos".

"A Rádio Comunidade tinha programa apresentado pelo radialista Júnior Albuquerque. Segundo relatos, ele cobrava maior atuação do governo federal na pandemia e foi surpreendido por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro que invadiram os estúdios, o intimidaram e o ameaçaram", afirma a Asserpe.

A organização explicou que decidiu se posicionar mesmo que o caso envolva uma rádio que não é uma de suas emissoras associadas "por tratar-se de ameaça à liberdade de imprensa", que afirmou defender "de forma altiva".

"Também porque abre um perigoso precedente que ameaça todos os veículos, inclusive comerciais", acrescentou o comunicado, divulgado nesta quarta-feira, que coincide com o dia do jornalista. "A Asserpe espera resposta a altura em virtude da gravidade do incidente pelas autoridades que investigam o caso".

Por fim, a organização reforçou sua defesa pela "liberdade de imprensa" e condenação a "todo ataque a esse direito fundamental", além de ter demonstrado apoio ao radialista Júnior Albuquerque.

Procurada, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que foi feito um registro de ocorrência de ameaça na noite desta terça-feira.

"De acordo com informações preliminares, a vítima é radialista e, enquanto estava transmitindo o seu programa de rádio, a emissora foi invadida por dois homens que o ameaçaram. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe", acrescentou em nota.