Ciro mantém apoio no PDT mesmo sem decolar, mas sofre pressão por voto útil em Lula

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*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 22.02.2022 - Presidenciável Ciro Gomes (PDT) em live semanal nas redes sociais. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 22.02.2022 - Presidenciável Ciro Gomes (PDT) em live semanal nas redes sociais. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Longe dos 20% nas pesquisas profetizados pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, um ano atrás, Ciro Gomes ainda mantém amplo apoio na bancada do partido na Câmara, mas enfrenta pressão dos que defendem voto útil no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para derrotar Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

Em junho do ano passado, Lupi concedeu entrevista à Carta Capital na qual disse não ser difícil o pedetista chegar a março deste ano com 15% ou 20% das intenções de votos.

No último Datafolha, divulgado em 26 de maio, Ciro aparece em terceiro lugar, com 7% das intenções de voto -Lula tem 48%, 21 pontos percentuais de vantagem sobre Bolsonaro, que aparece com 27%.

O cenário para Ciro se manteve praticamente inalterado em relação ao levantamento anterior, divulgado dois meses antes -ele tinha 6%, em pesquisa que ainda tinha os nomes do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil, com 8%) e do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB, com 2%), que saíram da disputa.

O resultado da pesquisa não abalou o respaldo do grosso da bancada pedetista na Câmara, que continua declarando apoio público e incondicional ao presidenciável do partido.

Na avaliação deles, a candidatura de Ciro é legítima e fortalece o partido, por ser uma alternativa em um cenário eleitoral polarizado e indefinido.

"[A bancada dá] apoio irrestrito e incondicional ao nosso candidato à presidência Ciro Gomes. Nós não temos vacilação. E não é pelo movimento, pelas pesquisas, todas respeitáveis, que nós vamos nos comportar como outros grupos fazem de forma adesista e interesseira", afirma o deputado Afonso Motta (RS). "O apoio independe da posição do nosso candidato e dos outros candidatos nas pesquisas."

Seu colega de estado, Pompeo de Mattos tem discurso semelhante. "A candidatura do Ciro para o PDT é uma bênção. Até porque os números dele são, no mínimo, o dobro dos números do PDT."

O deputado afirma que a eleição ainda está em aberto e que o momento do voto "nem Lula nem Bolsonaro" vai chegar. "A eleição está muito na pesquisa. Se pesquisa ganhasse eleição, não precisava de eleição, fazia pesquisa. A pesquisa é um retrato. O que vai sobrar de alternativa vai ser o Ciro."

Chico D'Angelo (RJ) também vai na linha de que é legítimo o partido postular uma candidatura própria.

"Em meio à polarização, Ciro ocupa um espaço no campo democrático popular", disse. "Num segundo turno, tenho certeza de que ele viria a apoiar o Lula. A candidatura de Ciro está colocada e não tem questionamento no partido."

O aliado Mauro Benevides Filho (CE) é categórico. "Pode escrever aí na matéria: eu não tenho dúvida de que o Ciro, por ser o mais preparado e o mais experiente, vai ser o próximo presidente da República."

Ele minimiza o fato de o pré-candidato ainda não apresentar dois dígitos nas pesquisas. Na avaliação de Benevides Filho, até 30 de junho o candidato consegue ter 11%, 12%, para demonstrar crescimento e viabilidade.

"A população não pensa em política agora, quem pensa em política é jornalista, político e banco, que financia pesquisa. A população está pensando em emprego, alimentação, moradia."

Há, no entanto, quem já defenda que o partido reavalie o cenário caso a candidatura continue sem empolgar.

"Estou empenhadíssimo na campanha do Ciro Gomes. Mas eu entendo que a eleição presidencial tem que ser encerrada no primeiro turno. Então eu luto para que o Ciro chegue ao segundo turno, porque o Bolsonaro tem que ser derrotado", afirma Paulo Ramos (RJ).

"Chegar em setembro e isso não se viabilizou, você tem que analisar o quadro. Porque o Bolsonaro tem que ser derrotado no primeiro turno. Não dá para ficar como hipótese", complementou.

"Obviamente, se nós chegarmos em setembro, Lula com 42% e Ciro 10%, e houver a chance de derrotar o Bolsonaro no primeiro turno, vamos caminhar para derrotar."

Reservadamente, deputados dizem que, mesmo que os dois dígitos não se concretizem, o PDT leve a candidatura até o final. Isso porque, na avaliação deles, o "estrago" já foi feito, como a debandada de deputados na janela partidária em meio à necessidade de compor palanques competitivos para outubro.

Imediatamente antes do período autorizado para troca de partido, o PDT tinha 25 deputados em sua bancada. Atualmente, são 19.

Outro ponto citado é a decisão do PDT de não fechar federações partidárias, recurso usado por outras legendas, como PSB e PV, diante da constatação de que a eleição vai ser novamente polarizada.

A estratégia de Ciro de atacar Lula é vista com ressalvas por deputados do partido. "Poderia não ter o nível de críticas ao Lula, são excessivas. O foco é derrotar Bolsonaro. O PT tem um respeito grande em relação ao PDT", avalia Chico D'Angelo.

"Ciro tem que ser mais respeitoso. Quando ele parte para a agressão, como ele tem partido, ele perde voto. Porque sem dúvida alguma, ele é o mais preparado para o debate", afirma Paulo Ramos.

Pompeo de Mattos relativiza e defende a estratégia do pedetista. "Não tem ofensa de Ciro contra Lula, tem assertivas. Se ele disse e o outro junta o mesmo argumento é porque o argumento tem fundamento", afirma.

"Eu não vejo nenhuma coisa que o Ciro disse do Lula que não tenha fundamento, que seja uma fake news."

Para ele, quem está no partido e não apoia incondicionalmente o presidenciável "está no lugar errado." "Não existe isso de definir a eleição no primeiro turno, esse aí é o discurso do PT. A eleição tem dois turnos."

O deputado também pondera ser do jogo o assédio do PT sobre Ciro. Em entrevista ao Painel, o presidente do partido afirmou que a pressão pode inviabilizar um eventual apoio do PDT a Lula no segundo turno.

De acordo com a pesquisa Datafolha, 37% dos eleitores de Ciro afirmam que poderiam ter Lula como segunda opção de voto.

Para Pompeo de Mattos, no entanto, o PT está certo de pressionar o PDT. "O problema do PT não é o Bolsonaro, o problema do PT é o Ciro. Então ele ataca o inimigo, ataca quem pode enfrentar ele", disse.

"Nós tivemos uma geração trabalhista que foi condenada a votar no Lula por medo dos outros. Chega. Terminou o medo."

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