Ciro nega racismo após fala controversa sobre favelas: 'Má fé'

Ciro Gomes (PDT) afirmou ser um
Ciro Gomes (PDT) afirmou ser um "serviço pesado" explicar seu diagnóstico e propostas para a economia do país para moradores de uma favela. REUTERS/Adriano Machado

Após ofender a população das favelas durante palestra com empresários na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), o candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) se defendeu em suas redes sociais negando preconceito. "Dizer que menosprezei moradores das favelas é muita ma fé". Usuários reagiram nas redes sociais a respeito da fala do candidato. "É de um paternalismo, de um racismo e colonialismo sem igual", escreveu uma internauta.

Ativistas de movimentos de favelas e periferias também se manifestaram. "Sabe o que me pega na fala do Ciro Gomes a respeito da favela? Além da violência: É a gratuitidade da ofensa! Ele estava entre os dele, né. Fez o comentário esperando o riso e o aplauso. De gente “preparada” como ele", escreveu Jota Marques, educador popular e morador da Cidade de Deus, bairro da Zona Oeste carioca.

O candidato à Presidência, afirmou nesta quarta-feira (31) ser um "serviço pesado" explicar seu diagnóstico e propostas para a economia do país para moradores de uma favela. "Na verdade é um comício, né? Um comício para gente preparada. Você imagina eu explicar isso na favela? É um serviço pesado", disse em discurso.

Políticos também reagiram ao discurso. A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) saiu em defesa do população das favelas. "Ciro Gomes, na favela tem muita gente preparada. Talvez até mais do que o senhor com esse pensamento oligárquico. Melhore!", postou.

"Constrangedor ver um candidato a presidente, que enche a boca para falar de diploma em Harvard, reproduzindo a velha ignorância sobre a nossa população. Coisa mais entupida é achar que quem mora na favela não entende as coisas que a gente fala. Ciro deveria voltar pros estudos", escreveu a vereadora Thais Ferreira, também do Rio de Janeiro.

"A pior luta da sinceridade é contra a hipocrisia. Fiz uma palestra na Firjan sobre temas extremamente técnicos - capazes de serem entendidos por poucos - e conclui com uma autocrítica por usar linguagem tão técnica. Daí a dizer que menosprezei moradores das favelas é muita ma fé", escreveu Ciro em sua conta no Twitter negando ter sido preconceituoso.