Ciro Nogueira na Casa Civil sela casório de Bolsonaro com Centrão

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O senador Ciro Nogueira (PP-PI), indicado por Bolsonaro para a Casa Civil
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), indicado por Bolsonaro para a Casa Civil. Foto: Beto Barata/Agência Senado

Em meados de 2018, durante uma convenção do PSL, partido que gestou por alguns meses e muitos contos de réis a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, o general Augusto Heleno, futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, classificou o Centrão, grupo de 150 parlamentares de diversos partidos dispostos a alugar ou vender apoio político no atacado, como a "materialização da impunidade no Brasil”.

Em seguida, o braço armado do bolsonarismo ensaiou uma paródia da música “Reunião de Bacana (Se Gritar Pega Ladrão)”, de Bezerra da Silva. E cantarolou: “se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”.

Até então, o Centrão era conhecido por dar sustentação aos governos petistas e pular do barco quando o barco começou a afundar. Não sem antes atrelar seu destino a Michel Temer.

Quem quiser entender a dinâmica do agrupamento, que reúne políticos do PP, PL, Republicanos, Solidariedade e PTB, com os quais se alinham quase sempre o PSD, o DEM e o MDB, tem na trajetória de Ciro Nogueira, senador do Progressistas do Piauí, um bom resumo.

Em 2017, durante uma entrevista, ele chamou Bolsonaro, então deputado federal, de fascista e disse que Luiz Inácio Lula da Silva havia sido o melhor presidente da história.

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Ele ficou no barco de Dilma Rousseff até onde deu. Depois, militou pelo impeachment.

Cinco anos depois, num desses duplo twist que só a terra plana dá, ele agora está prestes a ser nomeado ministro da Casa Civil de...Jair Bolsonaro.

A conversão acontece no momento mais delicado do governo do ex-capitão, que hoje tem apoio de 24% dos eleitores e às voltas com protestos de rua, pedidos de impeachment e de escândalos na condução da pandemia e na compra de vacinas.

Um dos alvos da Lava Jato, suspeito de receber recursos de empreiteiras, Ciro Nogueira responde a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Tem como advogado o conhecido criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já defendeu de Antônio Carlos Magalhães a José Dirceu, passando por Duda Mendonça e grande elenco.

Fossem outros tempos, o recrutamento do senador piauiense para o centro do governo Bolsonaro faria os eleitores que cantavam em coro com Augusto Heleno em 2018 entrarem em curto-circuito.

Outros tempos mesmo.

Hoje aquela promessa do ex-capitão de formar um gabinete técnico, sem toma-lá-dá-cá, é só um retrato desbotado numa parede que nunca parou de pé.

Quem ainda acredita nisso acredita em qualquer coisa, inclusive que o Centrão não existe, como já ensaiou Heleno.

A esses eleitores os governistas já preparam uma conversa fiada e prestes a ser engolida: não foi Bolsonaro que se converteu ao centrão, mas os líderes do centrão que se converteram ao bolsonarismo.

Ah tá.

Nogueira é o comandante-em-chefe do partido pelo qual Bolsonaro foi filiado entre 2005 e 2016 — e pelo qual ensaia hoje um retorno triunfal.

O PP, vale lembrar, é a legenda com mais políticos investigados pela Lava Jato. A força-tarefa chegou a mover uma ação contra o partido por improbidade administrativa. Pedia que dez de seus integrantes devolvessem aos cofres públicos mais de R$ 2,3 bilhões supostamente desviados da Petrobras.

Foi do PP a indicação do notório Paulo Roberto Costa para a diretoria de Refino e Abastecimento da estatal, um dos alvos da operação por onde durante anos teria jorrado dinheiro para PT, MDB e PP.

Nenhum verso do general Heleno dedicava a explicar a passagem do futuro chefe pelo partido-base do Centrão.

Nem vai explicar como o grupo que se tornou sinônimo do fisiologismo nacional conseguiu chegar ao centro das articulações políticas da gestão Bolsonaro.

Pelo novo desenho Flávia Arruda (PL-DF), a secretária de Governo, vai cuidar das arestas na Câmara, e Ciro Nogueira, das do Senado, onde o governo tem tomado uma surra na CPI da Pandemia e onde o futuro ministro da Casa Civil era um integrante da tropa de choque bolsonarista até ontem. Um aliado capaz de deixar Ernesto Araújo apanhar sozinho, mas ainda assim aliado.

No momento em que o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), incomodado com declarações recentes de Bolsonaro, começa a enxergar materialidade nos pedidos de impeachment, o ex-capitão abre as comportas do governo para atravessar o rubicão rumo a 2022.

Nunca o Centrão chegou tão perto do poder. Da Casa Civil até o Congresso, terá agora linha direta com a presidência da Câmara, ocupada por Arthur Lira (PP-AL). A reforma administrativa não deixa de ser um ensaio do tal semipresidencialismo.

Com a troca, Ciro Nogueira passa a esquentar uma cadeira que já foi de Onyx Lorenzoni (DEM-RS), depois do general Braga Neto e depois do general Luiz Eduardo Ramos, que agora se diz atropelado pela notícia.

Com quatro ministros em menos de quatro anos, a Casa Civil, assim como as pastas da Saúde e da Educação, mimetiza a transgressão do ditado de que às vezes é preciso trocar as rodas do carro em movimento. É o que tem feito Bolsonaro desde que assumiu. A diferença é que o carro não anda.

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