Aliados de Bolsonaro quebram silêncio e conversam com equipe de Lula e Alckmin

Aliado de Bolsonaro, Ciro Nogueira (de pé, à direita) conversou com Gleisi Hoffman, presidente do PT, sobre a transição para um governo de Lula e Alckmin. (Foto: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images)
Aliado de Bolsonaro, Ciro Nogueira (de pé, à direita) conversou com Gleisi Hoffman, presidente do PT, sobre a transição para um governo de Lula e Alckmin. (Foto: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images)

Em meio ao silêncio de Jair Bolsonaro (PL) após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste domingo (30), integrantes do governo e da equipe do presidente eleito fizeram os primeiros contatos.

Nesta segunda (31), o vice-presidente, Hamilton Mourão, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, enviou uma mensagem parabenizando o vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB).

Alckmin ligou para Mourão depois de receber a mensagem —uma ligação que interlocutores do ex-governador descreveram como cordial.

No fim da tarde, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, telefonou para o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Na conversa, descrita como respeitosa, ele se colocou à disposição para ajudar na transição e afirmou estar esperando orientação de Bolsonaro para indicar a equipe. Cabe ao presidente eleito indicar o coordenador, para que a Casa Civil o nomeie.

A posse do novo chefe do Executivo será em 1º de janeiro de 2023. Até lá, é na transição que a equipe do presidente eleito obtém informações detalhadas sobre a situação das contas públicas, dos programas e projetos do governo federal, bem como do funcionamento dos órgãos.

Essa etapa é crucial para que o futuro chefe do Executivo possa traçar um plano de ação e tomar decisões sobre os primeiros passos ao assumir o cargo.

A vitória de Lula foi confirmada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às 19h56 (de Brasília) de domingo (30). Bolsonaro ainda não se manifestou.

Diante do silêncio, aliados sugeriram um texto ao atual chefe do Executivo para o reconhecimento da vitória do adversário. Segundo relatos, o documento não traria contestação ao resultado, mas citaria "injustiças" que o mandatário sofreu em seu governo e na campanha.

A expectativa do entorno do presidente é a de que ele se manifeste ainda nesta segunda ou terça (1º). Para aliados, quanto mais tempo demorar, mais negativo será para Bolsonaro.

Nesta segunda, a primeira-dama, Michelle, foi a primeira pessoa do clã Bolsonaro a se manifestar após o pleito. Ela compartilhou um trecho da Bíblia e também afirmou que ela e o presidente seguem "firmes, unidos, crendo em Deus e crendo no melhor para o Brasil".

Depois, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do presidente, disse ser necessário erguer a cabeça e afirmou que não vai "desistir do Brasil".

Foi a primeira manifestação de um dos filhos do presidente, 20 horas após a confirmação da vitória de Lula na disputa pela Presidência.

"Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando!", afirmou Flávio, sem citar Lula.

Cerca de uma hora depois, Flávio publicou nova mensagem: "Pai, estou contigo pro que der e vier!"