Ciro Nogueira espera Congresso reformista e com 350 deputados da base aliada de Bolsonaro

Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou nesta sexta-feira que um eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL) terá maioria no Congresso e foco na aprovação de reformas que podem ajudar no crescimento econômico e desenvolvimento do país.

Segundo o ministro, o futuro Congresso que será eleito em outubro terá cerca de 350 parlamentares da base aliada de Bolsonaro, enquanto a oposição terá no máximo 150.

No entanto, ainda que muitos deputados sejam eleitos apoiando um determinado candidato a presidente, tradicionalmente vários partidos acabam compondo com o presidente eleito, depois de negociações.

As pesquisas de intenção de voto, no momento, apontam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito para vencer a disputa presidencial, à frente de Bolsonaro.

“Nosso presidente vai ter uma base política consistente de 350 a 360 deputados capazes de dar estabilidade ao governo“, disse Nogueira em evento do grupo Lide no Rio de Janeiro.

“Pelas pesquisas vamos ter um Congresso mais reformista ano que vem. Acho que isso da condições de preparamos e fazer tudo aquilo que deixamos de fazer e gostaríamos de fazer como reforma administrativa, uma reforma tributária que é fundamental. Nós temos desafio enorme e não podemos retroceder“, acrescentou.

Bolsonaro tem uma razoável maioria do Congresso atual, contando com os parlamentares eleitos na esteira de suas bandeiras em 2018, integrantes do chamado centrão e ainda membros de partidos que, embora não o apoiem formalmente, votam a favor de medidas do presidente. Tanto é que o governo tem conseguido aprovar diversas Propostas de Emenda à Constituição (PECs), que precisam dos votos de três quintos dos parlamentares, o que equivale a 308 votos na Câmara, por exemplo.

No evento do Lide, Nogueira afirmou que o país vai enfrentar esse ano a eleição presidencial mais disputa de toda a história, e Bolsonaro ou Lula assumirá em 2023 um país dividido.

O ministro disse também que, se Bolsonaro for reeleito, mandará ao Congresso projeto para dar continuidade ao Auxílio Brasil. O ministro disse que o valor de 600 reais será mantido e garantiu que há espaço fiscal para continuidade do programa de assistência.

“Temos capacidade de aprovar reformas que deem sustentação ao Auxílio Brasil. Não podemos jamais deixar as pessoas sem auxílio no próximo ano“, afirmou.

Segundo Nogueira, pesquisas internas da campanha de Bolsonaro tem mostrado que o presidente está em ascensão e que até o feriado de 7 de Setembro, quando o país celebrará seu bicentenário, Bolsonaro vai estar na frente de Lula. “Acho até que tem chance de vencer no 1º turno“, afirmou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)