Ciro Nogueira questiona vacinação para crianças, mas diz que técnicos da Anvisa devem ser respeitados

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BRASÍLIA — O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, questionou a necessidade da vacinação contra a Covid-19 para crianças a partir de cinco anos, mas reforçou que é preciso respeitar a posição técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na semana passada, a Anvisa liberou o uso de imunizantes para essa faixa etária, mas a decisão vem sendo questionada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ciro também defendeu que as vacinas sejam opcionais - como já ocorre atualmente.

— Temos que separar a opinião pessoal. Temos que respeitar os técnicos da Anvisa, os técnicos do Ministério da Saúde. Não é uma decisão fácil de vacinação de criança, tem que ter um certo cuidado. Acho que não pode ser obrigatório, de forma nenhuma. O papel é do pai de fazer essa escolha — disse em entrevista ao Jornal do Piauí, da TV Cidade Vede, ontem.

Em seguida, o ministro da Casa Civil colocou em dúvida a necessidade de vacinar uma criança de cinco anos, mas logo após reforçou que cabe aos especialistas determinarem a melhor opção, que são as pessoas capacitadas para fazer essa avaliação:

— Não é uma escolha fácil. Poxa, você vacinar uma criança de cinco anos sem comorbidade? Será que é tão necessário? Mas só quem poderá dizer isso são os especialistas. Temos que confiar nas pessoas do nosso país que são capacitadas para fazer essa avaliação. O Ministério da Saúde está tendo todo cuidado do mundo. Não devemos de forma nenhuma politizar essa situação.

Na semana passada, Bolsonaro intimidou servidores da Anvisa ao dizer que iria expor os nomes que aprovaram a utilização da vacina da Pfizer para crianças a partir de 5 anos. Ele disse que pediu a lista de forma "extra-oficial" para que "todos tomem conhecimento" dos nomes dos técnicos responsáveis pela aprovação. Depois disso, o número de ameaças aos profissionais aumentou.

Ciro também garantiu que haverá vacinas suficientes para vacinar as crianças contra a Covid-19.

— Temos que proteger as nossas crianças e se precisar, se for determinação dos cientistas, não vai faltar vacina para nossas crianças como não faltou para nosso adultos — declarou.

Divergindo da posição do presidente Jair Bolsonaro, o ministro garantiu que se vacinou e reforçou que a campanha de imunização foi responsável por diminuir as taxas de mortalidade do país:

— Eu mesmo me vacinei, minha família inteira, as pessoas que me escutam acham que vacina é fundamental e grande responsável pelos baixos índices de mortalidade.

Ontem, em entrevista ao GLOBO, o diretor-geral da Anvisa, Antonio Barra Torres, reforçou que a Anvisa nunca defendeu a obrigatoriedade das vacinas, mas que é necessário haver uma campanha de conscientização para que cada vez mais pessoas optem por essa escolha.

— Nunca defendi vacina obrigatória, nem alguém da Anvisa. Nem vacina, nem medicamento. O dono do corpo é o cidadão, ele é o senhor do seu corpo, então ele decide que ele deve ingerir, o que deve ser injetado nele. Para nós, é um conceito pétreo (...) Defendemos uma campanha de informação, uma campanha de vacinação em que o Brasil sempre foi líder no mundo — disse Barra Torres.

E acrescentou:

— Não vamos confundir o regramento do trânsito do ir e vir com obrigatoriedade de vacina, são coisas bem distintas que, infelizmente, essas correntes negacionistas querem misturar. Informação bem feita e convencimento são muito importantes.

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