Cirurgião plástico denunciado diz que cicatrização de narizes era 'imprevisível'

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O cirurgião plástico Alan Landecker se pronunciou, na tarde desta segunda-feira (8), sobre as denúncias feitas por pelo menos sete ex-pacientes, que realizaram rinoplastias com o médico, em São Paulo, e tiveram deformações na área no pós-operatório.

Em nota publicada em seu perfil pessoal e no de sua clínica nas redes sociais, o profissional de saúde afirmou que a cicatrização de rinoplastias é "imprevisível e incontrolável" e que, mesmo com o bom trabalho do médico, o processo de recuperação também depende de fatores ligados aos pacientes "como idade, saúde, imunidade, alimentação e seguimento das orientações médicas".

Ao defender a responsabilidade de terceiros, o cirurgião ainda declarou que todos os pacientes que passam por sua clínica são acompanhados por três anos e que os clientes "em questão" tomaram a decisão de interromper o tratamento por conta própria. "No que depende do profissional e sua equipe, não houve qualquer indício de negligência, imprudência ou imperícia", defende a nota.

Já ao comentar as bactérias localizadas no sistema de alguns dos denunciantes, capazes de deformar o rosto das pessoas afetadas, o médico afirmou que a origem das infecções é "multifatorial", sem entrar em detalhes sobre quais seriam os possíveis fatores envolvidos, alegando apenas que, "seguindo a ética profissional", o comunicado não detalharia aspectos individuais dos pacientes.

Além disso, Landecker negou qualquer tipo de irregularidade de sua clínica perante a Vigilância Sanitária, afirmando que o espaço recebeu visita em outubro deste ano e foi considerado apto a funcionar.

A declaração foi uma resposta a informações apuradas pelo jornal O Globo, que divulgou, no final de semana, que o órgão sanitário orientou que o médico não realizasse procedimentos no local após perícia, feita em junho de 2021.

Apesar de defender sua clínica, o cirurgião admitiu que, por segurança, os procedimentos estavam sendo realizados apenas no Hospital Albert Einstein há pelo menos seis meses.

"Repudiamos veementemente a exposição precipitada, irresponsável, tendenciosa e sensacionalista do assunto pela maior parte da imprensa, cuja função em uma sociedade civilizada deveria ser investigar de forma séria, profunda e imparcial antes de apresentar a notícia publicamente, ainda mais em razão da inexistência de nexo causal entre as intervenções e as alterações reportadas pelos pacientes", declarou a nota assinada pela Clínica Landecker, dizendo ainda possuir provas "inequívocas e abundantes" a favor do cirurgião e que as "calúnias" dos pacientes serão tratadas nas esferas competentes.

Procurada pela reportagem anteriormente, a defesa do cirurgião já havia negado as denúncias, mas não enviou imagens ou detalhes contra a versão dos pacientes.

Com a apresentação dos denunciantes, o caso também gerou a abertura de inquéritos na polícia paulistana e o afastamento do médico de quatro dos maiores hospitais da cidade: Albert Einstein, Sírio Libanês, Vila Nova Star e São Luiz.

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