Cirurgião preso: laudo médico sobre paciente que denuncia cárcere privado recomenda transferência de hospital

Antes de determinar a transferência da paciente que denuncia ter sido mantida em cárcere privado pelo cirurgião plástico Bolívar Guerrero Silva, a juíza Elizabeth Maria Saad, da 5ª Vara Cível da Comarca de Caxias, pediu um laudo independente que apontasse o estado de saúde dela e informasse se tinha condições de deixar o Hospital Santa Branca. O relatório assinado pelo médico Bruno de Souza Vial, a que O GLOBO teve acesso, sugere a remoção dela da unidade, "tendo em vista quebra de confiança em relação médico/ paciente e por haver necessidade estrutural e de material para melhor suporte e recuperação otimizada" da vendedora Daiane Chaves Cavalcante, de 35 anos. O Hospital Santa Branca ainda não cumpriu a determinação da juíza, que data de sexta-feira da semana passada. Na decisão, a juíza determina multa de R$ 2 mil pelo descumprimento.

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Para Bruno Vial, a transferência é indicada "já que não há equipe especializada (na clínica), como comissão de curativo, entre outros materiais que poderiam contribuir na cicatrização" das lesões da paciente. O médico ainda informa à magistrada que faltam detalhes no prontuário da mulher para explicar os procedimentos feitos.

O médico ressalta ainda que Daiane, no hospital — por conta de sua situação física — pode pegar uma infecção. Por fim, o médico escreve que, "tendo em vista o exposto, a transferência hospitalar pode trazer mais benefícios psicólogo e físico na recuperação da paciente".

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Bloqueio dos bens

A defesa de Daiane pediu nesta terça-feira (19) no Fórum de Duque de Caxias o bloqueio parcial dos bens do hospital para custear o tratamento da vítima em outro hospital particular. Os advogados do Hospital Santa Branca destacaram que “a unidade nunca praticou nenhum ato contra a saúde da paciente, ou qualquer ilegalidade”. A defesa do hospital explicou que “está interessada em resolver o problema”. O GLOBO não conseguiu localizar a defesa do médico.

De acordo com a defesa da vendedora, os advogados da unidade de saúde teriam informado à juíza Elizabeth Maria Saad, que só haviam encontrado vaga no Hospital Adão Pereira Nunes, também em Caxias. O GLOBO obteve áudios em que a vítima chora pedindo a seu advogado que seja retirada do hospital.

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— A decisão (de transferência) é da última sexta e até agora eles não cumpriram. Por conta disso, hoje (terça-feira, 19), eu pedi o bloqueio parcial dos bens desse hospital para o custeio do tratamento da Daiana. Pedimos que o tratamento seja feito na Rede D’Or. Então, a juíza me pediu a relação de três hospitais diferentes. Só queremos que o hospital custeie o tratamento dela. O bem maior, tutelado pelo Estado, é a vida; mais do que qualquer coisa. E nesse caso, a Daiane está entre a vida e a morte, essa é a minha maior preocupação — destaca Ornélio Mota Rocha, advogado da vendedora.

Para o advogado, “o hospital e a defesa do médico tem levado a vida como algo irrelevante”.

— Eles estão agindo de uma forma ignorante. Mesmo eles sabendo que o hospital não tem condições, eles a mantém lá. Se fosse para sanar o problema, eles já teriam sanado. Ela está lá há dois meses. Agora, eles querem colocá-la em uma unidade pública que não terá condições de manter o tratamento. Hoje (ontem), descobri que a defesa dele protocolou uma petição que alegam que só encontraram vaga no Hospital Adão Pereira Nunes. Que essa foi a única unidade de saúde que eles acharam vaga. O que eles estão fazendo é uma retaliação a repercussão do caso — diz o advogado.

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Segundo a defesa, Daiane “está com o estado de saúde muito fragilizado e o emocional muito abalado”.

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