Afirmação de gênero: entenda a cirurgia feita por Linn da Quebrada

Linn da Quebrada (Foto: Globo/João Cotta)
Linn da Quebrada (Foto: Globo/João Cotta)

Nos últimos dias, Linn da Quebrada surpreendeu o público ao postar fotos em que aparece com o rosto inchado e repleto de curativos após passar por uma cirurgia. O procedimento em questão é a afirmação de gênero, que envolve uma série de alterações capazes de deixar o rosto mais masculino ou, no caso da atriz e cantora, mais feminino.

"A cirurgia plástica é dividida em intervenções estéticas e/ou reparadoras. Então, a demanda de homens e mulheres trans naturalmente fez os especialistas da área se interessarem por formas de atender melhor esse público", diz a cirurgiã plástica Suzy Vieira.

"Por mais que certos debates tratem essa questão dos traços masculinos e femininos como algo subjetivo, o que fazemos é baseado em estudos de proporção que começaram há muitos anos. Leonardo da Vinci e outros pintores italianos já falavam como certas características físicas estão associadas a corpos classificados como de homens ou de mulheres", completa.

Não à toa, é possível identificar se um esqueleto pertencia a um homem ou a uma mulher (biologicamente falando, é claro). "No caso das mulheres trans, costumamos, por exemplo, raspar o osso frontal do crânio e trazer a linha do cabelo para baixo a fim de deixar a testa menor e menos projetada. Também injetamos gordura em áreas específicas para arredondar o rosto", explica a expert.

Já os homens trans, por tirarem muito proveito da terapia hormonal nesse sentido, geralmente optam apenas por um queixo mais protuberante e uma mandíbula bem definida, algo que a harmonização facial consegue resolver sem necessidade de uma cirurgia — a testosterona, fora o crescimento da barba e o engrossamento da textura da pele, tende a provocar a queda de cabelo, deixando a testa maior, e interferir na distribuição da gordura, alterando as formas da face.

"É muito gratificante ver como essas mudanças beneficiam a autoestima e a qualidade de vida desses pacientes. No meu consultório, muitos já relataram melhoras no âmbito pessoal e até no profissional, uma vez que passaram a se posicionar e a ser vistos de outra maneira", celebra Suzy.

Como em qualquer procedimento cirúrgico, o pré-operatório requer uma avaliação cuidadosa, ainda mais porque, por falta de acesso, diversas pessoas trans ainda fazem terapia hormonal sem o devido acompanhamento. "Isso pode, entre outros efeitos colaterais, prejudicar o fígado e o coração", alerta a cirurgiã. Para voltar completamente à vida normal, por outro lado, é necessário aguardar entre 15 e 30 dias.