Cirurgião plástico é denunciado por injúria racial e homofobia por companheira da ex

Homem é acusado de cometer homofobia e injúria racial. Foto: Getty Images.
Homem é acusado de cometer homofobia e injúria racial. Foto: Getty Images.
  • Ex-mulher de médico namora atleta negra

  • Cirurgião chamou mulher de 'macaca' e foi denunciado por injúria racial

  • Ex-esposa afirma que homem não quer assinar o divórcio

O cirurgião plástico Domingos Quintella de Paolla, do Rio de Janeiro, foi denunciado por injúria racial e homofobia pela atual companheira de sua ex-mulher, a atleta Dara Augusta. Segundo ela, o homem não aceita o relacionamento.

"Ele me procurou, me mandava mensagens, fazendo ameaças, falando que não era para eu ficar com a Jéssica porque eu tava destruindo a vida dela, a vida do filho, porque era vergonhoso ela estar com uma pessoa negra", relatou Dara ao portal G1.

Domingos e sua ex-mulher, a professora Jéssica Andrade, estão separados, mas seguem casados no papel. "Eu quero o divórcio só que ele ainda não me deu. Ele não quer dar, simples assim", disse Jéssica.

Segundo a professora, em uma mensagem de texto o homem teria dito: "Você me dispensou, trocou pela macaca". E completou: "Isso é imperdoável. Ela é analfabeta e sem futuro, uma derrotada. Nunca será nada na vida".

Em suas redes sociais, onde tem mais de 400 mil seguidores, Dara relatou o que ela e a companheira estão passando.

"Gente, então, eu vim explicar a vocês. A pessoa que está cometendo todos esses atos de racismo contra a minha pessoa é o ex-marido da Jéssica. Ele não aceita o fim. Ele não aceita que ela não quer ficar com ele. Ele não aceita a situação de que não dá, que não quer e com isso ele começa a ter vários atos de racismo", escreveu a atleta.

Jéssica chegou a marcar um encontro com o ex, na Praia de Copacabana, e gravou a conversa. O rosto do acusado não aparece no vídeo.

"Ela é favelada, não tem como sair se entrar [na favela]. Quer apostar comigo, quer brincar? Você não vai ficar zangada comigo se eu fizer isso? Meter ela numa delegacia, encher de porrada de borracha e depois soltar. Ela merece. Ela é macaca. Ela é macaca. Preta e macaca", é possível ouvir no áudio.

O casal usou a gravação para fazer uma denúncia na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na última sexta-feira (10). O caso foi registrado como ameaça e injúria.

A ex-esposa do médico fala sobre o medo de retaliações. "Ele fala em me matar. Se ele me matar, para ele vai pegar cadeia, já tem 68 anos, simples assim".

Outro caso envolvendo o médico

Esta não é a primeira vez que Domingos se envolve em polêmicas. Em 2018, quando chefiava o serviço de cirurgia plástica do Hospital dos Servidores, uma mensagem sua circulou na internet. No texto, ele pediu que um médico aprovado na residência do hospital abrisse mão da da vaga em benefício de seu filho.

Qual a diferença entre racismo e injúria racial?

O crime de injúria racial está previsto no artigo 140, 3º parágrafo do Código Penal e prevê de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. Segundo o regulamento, injuriar corresponde a ofender alguém por conta de sua cor, etnia, religião, origem ou raça.

Já o racismo, previsto na Lei 7.716/1989, acontece quando um indivíduo agride uma pessoa ou coletivo, discriminando-os por conta de sua etnia. Sendo assim, o racismo dirige-se a um grupo completo de pessoas e englobam infrações mais amplas. Como exemplos pode-se citar o impedimento ao acesso às entradas sociais em edifícios, negar ou impedir que o indivíduo em questão consiga emprego etc.

Como posso denunciar estes crimes?

Para se proteger deste tipo de violência, a vítima pode denunciar presencialmente ou online.

Caso o crime esteja acontecendo em tempo real, o indivíduo pode chamar a polícia pelo 190. A entidade pode conter a agressão, e até mesmo levar o criminoso preso em flagrante.

Se o crime já tiver acontecido, vale procurar o posto policial mais próximo para registrar um boletim de ocorrência com o máximo de detalhes possíveis. Vale fornecer também nomes e contatos de quem testemunhou o acontecido.

Pela Internet

A vítima também pode denunciar os crimes de injúria racial e racismo por meio do site da Secretaria da Justiça e Cidadania, pelo Portal SP156 e pelo Safernet.

Por telefone

Já pelo telefone, é possível denunciar as infrações pelo Disque Direitos Humanos. Para isso, basta teclar o número 100.

Quem reside na cidade de São Paulo também pode apresentar a queixa pela Central 156.

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