Citação a Bolsonaro em investigação dificulta demissão do ministro do Turismo

Marcella Fernandes
Investigação de candidaturas laranja de que ministro do Turismo é alvo respinga no presidente Jair Bolsonaro.

A citação ao presidente Jair Bolsonaro nas investigações que envolvem o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, pode inviabilizar sua demissão do governo neste momento, na avaliação de parlamentares do PSL. Apesar de alguns integrantes do partido defenderem a renúncia do ministro, o entendimento nos bastidores é de que uma decisão do presidente no sentido de demitir o aliado seria uma forma de admitir culpa no cartório.

Na última semana, a Polícia Federal indiciou Álvaro Antônio, e o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra ele. Se a Justiça aceitar, ele se torna réu. A suspeita é dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

As investigações concluíram que o ministro, na presidência do PSL de Minas Gerais, comandou esquema para desvio de dinheiro, por meio do qual mulheres eram usadas em candidaturas de fachada para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas. Juntas, quatro candidatas receberam R$ 279 mil de verba pública da legenda, mas alcançaram apenas 2.074 votos. 

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo publicada neste domingo (6), uma planilha apreendida em uma gráfica e um depoimento dado à Polícia Federal sugerem que o dinheiro desviado, por meio de caixa dois, teve como destino as campanhas de Álvaro Antônio, para deputado federal, e de Jair Bolsonaro, para presidente. O ministro foi coordenador da campanha presidencial em Minas Gerais.

O que é caixa dois

Prevista no Código Eleitoral, a prática conhecida popularmente como caixa dois é “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais”. A pena é de até 5 anos de prisão.

Na percepção de integrantes do PSL ouvidos de forma reservada pelo HuffPost, a investigação contra o ministro é robusta, mas não há provas...

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