Debate RJ: Cláudio Castro é principal alvo de adversários; Freixo exalta Lula

Debate no Rio de Janeiro: Líderes nas pesquisas, Cláudio Castro e Freixo foram os principais alvos dos outros participantes
Debate no Rio de Janeiro: Líderes nas pesquisas, Cláudio Castro e Freixo foram os principais alvos dos outros participantes

O governador Cláudio Castro (PL) foi o principal alvo dos candidatos ao Governo do Rio de Janeiro durante o último debate neste primeiro turno, promovido nesta terça-feira (27) pela TV Globo.

Líder nas pesquisas de intenção de votos, Castro foi questionado sobre as delações que o acusam de corrupção, os secretários de sua gestão presos e o escândalo de funcionários fantasmas no Ceperj (Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio de Janeiro).

"[Castro] Pode virar réu a qualquer momento. Há uma possibilidade, sim, de termos sexto governador preso", disse o deputado federal Marcelo Freixo (PSB).

Castro reagiu, em pedido de direito de resposta, aos ataques feitos pelo candidato do PSB.

"Ele [Freixo] teve 16 condenação no TRE porque ele mentiu. É aquela indústria de delações que existiu. O marqueteiro dele [Renato Pereira] é envolvido em delação. O pessoal dele é todo envolvido em delações".

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Os dois principais candidatos tiveram apenas um confronto direto, no último bloco do programa. O grau de conflito ficou evidenciado com os quatro pedidos de respostas feitos no debate entre os dois —três concedidos, sendo dois para Freixo.

"O [ex-governador Sérgio] Cabral na época reclamou, disse que eu não estava falando a verdade, ganhou direito de resposta. Seis anos depois, foi preso. Estou alertando. Cuidado. Torço para que seu destino não seja o mesmo do Sérgio Cabral."

O governador buscou se esquivar afirmando não ser réu em nenhum processo e ter agido para apurar suspeitas sobre seu governo. Ele criticou os ataques de que foi alvo.

"O cidadão quer saber como [o candidato] vai resolver a vida das pessoas. Não há governo sem credibilidade que faça a maior concessão da história do Brasil. Credibilidade, só quem é honesto tem", disse ele.

Freixo, segundo lugar nas pesquisas, também foi alvo de críticas de Castro, Rodrigo Neves (PDT) e Paulo Ganime (Novo). Ele foi cobrado pelo pedetista em razão das doações eleitorais feitas por famílias de banqueiros e economistas liberais, como Armínio Fraga.

"Você fez muitas críticas à influência dos banqueiros na política e nas eleições e sempre defendeu o financiamento exclusivo público de campanha. Quem você vai trair se eleito? Seus novos amigos banqueiros ou seus antigos eleitores?", questionou o pedetista.

O candidato do PSB defendeu o que chamou de união entre economistas liberais e movimentos sociais. "Para governar o Rio de Janeiro, precisamos de união e o diálogo."

"Esse papo de frente ampla e união não engana as pessoas. Você mesmo dizia que quem financia a campanha cobra a fatura depois da eleição. O Armínio Fraga, que é um representante do sistema financeiro internacional, já doou mais de R$ 200 mil para sua campanha. Essa contradição você precisa explicar para seus eleitores", respondeu Neves na réplica.

Ganime mirou tanto Castro como Freixo no tema corrupção. Além de criticar os escândalos no estado, criticou desvios em governos do PT, que apoia o candidato do PSB no estado.

"A corrupção mata, não só no Rio de Janeiro, mas também no Brasil. Temos que lembrar quem é o marqueteiro dele. Teve que fazer delação para se livrar de condenação. Freixo também é apoiado pelo ex-presidente e ex-presidiário Lula. Não dá para falar de moral, ética e correção, ligada a pessoas não são corretas e éticas."

O candidato do Novo cobrou ainda Castro por sua fala em entrevista à Folha de S. Paulo de que Lula não representaria a ameaça descrita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). "Você disse que o Lula não é tão perigoso assim para o Brasil."

O governador, porém, reivindicou para si o apoio do presidente. "Quem é do partido do Bolsonaro sou eu. Essa tática é triste, de entrar num voto que não acredita em nada que o partido Novo acredita."

Freixo também mencionou Lula ao longo do debate, sinalizando contar com o apoio do ex-presidente. "Certamente o presidente da República será outro, será o Lula, e terá muito maior sensibilidade com o Rio de Janeiro", disse ele sobre o regime de recuperação fiscal.