Cláudio Castro inicia 2º mandato em busca de marca própria no Rio

*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 22.09.2022 - O governador reeleito do Rio de Janeiro, Claudio Castro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 22.09.2022 - O governador reeleito do Rio de Janeiro, Claudio Castro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após dois anos de costuras políticas e obras paroquiais para atender a aliados, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), inicia o novo mandato com o desafio de criar uma marca para sua passagem no comando do Palácio Guanabara.

Entre os desafios estão a conclusão de obras de grande porte com recursos da concessão de saneamento básico, como uma nova linha de metrô e a despoluição da baía de Guanabara, e o afastamento gradual do bolsonarismo que cercou sua primeira gestão.

Castro já estabeleceu pontes com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a fim de que seu apoio a Bolsonaro na eleição não impeça uma boa relação com o novo governo. Ele pretende, inclusive, acompanhar a posse do petista em Brasília neste domingo (1º).

O governador assumiu o estado em agosto de 2020 após o afastamento de Wilson Witzel, de quem era vice. Após o impeachment do ex-governador, em abril do ano passado, montou um governo com o objetivo de construir uma base política na Assembleia Legislativa.

Parte desse apoio foi obtido também por meio de obras bancadas pelos R$ 22 bilhões arrecadados com a concessão do saneamento básico.

Os recursos permitiram a inauguração de pontes, praças e o início de outras obras que auxiliaram na divulgação de seu nome no interior e a atração de apoio de prefeitos e deputados.

As obras não decolaram como o previsto no primeiro ano, mas foram o suficiente para ajudar na vitória em outubro.

Reeleito no primeiro turno com 58% dos votos válidos, o governador agora espera entregar grandes obras previstas no Pacto RJ, como o programa de investimentos bancado pela concessão foi chamado.

A de maior impacto público é o metrô da Baixada Fluminense, que tem custo estimado de R$ 2,4 bilhões. O cronograma inicial previa a realização de licitação já no fim de 2021. A disputa, contudo, sequer foi concluída.

Ao longo do mandato de Castro também está prevista a construção de todo o cinturão que visa despoluir a baía de Guanabara, promessa que já dura mais de 40 anos. O prazo para conclusão das intervenções é novembro de 2026, mas o cronograma inicial já está em atraso.

Os investimentos só foram viáveis após a adesão definitiva do estado ao Regime de Recuperação Fiscal, que alivia o pagamentos de dívidas com a União por dez anos.

"Acho que o Rio vai ter uns dez anos de muita tranquilidade, sobretudo com o regime. Eu estou muito confiante que a gente vai conseguir evoluir cada dia mais", afirmou Castro em entrevista à Folha de S.Paulo após a vitória.

Uma das ameaças à saúde financeira do estado é o eventual julgamento sobre a nova lei dos royalties no STF (Supremo Tribunal Federal), suspenso desde 2012 por um pedido de vista do ministro Luiz Fux. O processo chegou a ser pautado em 2020, mas depois foi de novo retirado.

O governador tem a expectativa de que um eventual julgamento não levará ao prejuízo de R$ 57 bilhões em cinco anos, calculado pela Assembleia Legislativa.

"O que eu estou ouvindo é que será modulado algo só para frente. E aí o Rio não teria prejuízo", disse ele.

Castro vem acumulando bons números na segurança pública, como a queda histórica nos índices de homicídio. Contudo, a gestão na área ainda é marcada pela letalidade policial recorde.

O governador não tem demonstrado preocupação especial com o tema. Apresentou um plano de redução de letalidade considerado vago por especialistas e tem resistido a instalar câmeras corporais nas fardas de policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), unidades responsáveis pelas ações mais letais do estado.

"O problema maior é o nível bélico de traficante e miliciano. A hora que você diminuir o poder bélico dele você você vai diminuir a letalidade. A culpa não é da polícia, é do criminoso", disse à Folha de S.Paulo em outubro, após vencer a disputa.

Castro também pretende expandir o Cidade Integrada, espécie de substituto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Ele, contudo, demonstra não querer repetir a expansão acelerada do projeto que fez sucesso sob a gestão Sérgio Cabral, uma das causas para sua derrocada.

"A expansão é pontual, devagar, pensando bem, com o concurso que está chegando [para policiais militares. Para a UPP, entraram dez mil homens de uma vez só com média de tiro [no curso de formação] de dez tiros por policial. Com dez tiros você não consegue nem começar a acertar. Você começa a acertar depois de cem tiros", disse ele.

Castro firmou acordos com seis partidos políticos para servir como base da aliança que pretende formar em 2024 nas eleições municipais. O governador pretende ter candidato nas principais cidades, inclusive na capital, enfrentando o prefeito Eduardo Paes (PSD), que tentará a reeleição.

O distanciamento da família Bolsonaro tem sido gradual. O governador vem dando sinais de que não pretende tornar o governo abrigo de aliados do presidente egressos do governo federal.