Cláudio Castro lamenta assassinato de juíza: 'inadmissível que o feminicídio continue acontecendo'

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Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O governador em exercício, Cládio Castro (PSC), lamentou a morte da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, assassinada pelo ex-marido, Paulo José Arronenzi, na véspera de Natal.

No Twitter, Castro escreveu: "Lamento profundamente a morte da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, assassinada de forma cruel na véspera de Natal. O ex-marido é acusado do crime bárbaro. É inadmissível que o feminicídio continue acontecendo. Meus sentimentos aos familiares e amigos da vítima".

O governador em exercício acrescentou ainda que as polícias Militar e Civil atuam diariamente no combate à violência contra a mulher.

"APatrulha Maria da Penha realizou cerca de 27 mil atendimentos em apenas um ano, fazendo acolhimento das vítimas e fiscalizando medidas protetivas. Para denunciar agressões, ligue 190. Na Polícia Civil, as investigações de feminicídio ganharam força com o aumento na pontuação da elucidação desses casos. Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs) funcionam 24 horas por dia. Denuncie", escreveu.

Paulo José foi detido por guardas municipais após assassinar a ex-companheira na frente das três filhas — uma de 9 anos e gêmeas de 7 — na Avenida Rachel de Queiroz, na Barra da Tijuca. O casal se separou em setembro deste ano, após 11 anos de casados.

Nesta manhã, ele foi transferido da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Segundo a Polícia Civil, o exame de corpo de delito e a audiência de custódia serão feitos no próprio presídio nas próximas horas. O engenheiro se recusou a prestar esclarecimentos na delegacia e afirmou que só vai se manifestar na Justiça.

No dia 14 de setembro, Viviane registrou um boletim de ocorrência na 77ª DP em Icaraí, Niterói, após ser ameaçada de morte pelo então companheiro. Na ocasião, ela havia comunicado Paulo sobre o desejo de terminar o casamento.

Em depoimento a juíza narrou que, ao chegarem a um prédio, na Rua Mariz e Barros, Paulo forçou a entrada, passando pelo porteiro sem autorização, e a empurrou. Ela narra ter caído no chão e lesionado a coxa direita. A juíza admitiu que o então marido tinha “gênio explosivo”, mas negou que a tivesse agredido anteriormente. Viviane afirmou que não gostaria de vê-lo preso nem de representar criminalmente contra ele.

No primeiro termo de declaração, a magistrada disse que prezava pela integridade física e pelo bom andamento do término do relacionamento, mas que não desejaria fazer jus ao seu direito de arguir as medidas protetivas da Lei Maria da Penha.

Cinco horas depois, Viviane retornou a 77ª DP para contar que Paulo voltou a casa de sua mãe, jogou todas as suas roupas pelas grades do condomínio e prometeu: “Isso não vai ficar assim! Eu vou te matar”. Ela repetiu que não desejava que o engenheiro fosse preso, mas, dessa vez, requereu a adoção das medidas protetivas. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça — ambos no âmbito de violência doméstica e familiar contra a mulher.