Cláudio Castro nomeia Alexandre Chieppe na Saúde, sob a 'bênção' de Arthur Lira; Nelson Rocha é escolhido para a Fazenda

João Paulo Saconi
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RIO - O governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), escolheu nesta terça-feira o médico e major do Corpo de Bombeiros Alexandre Chieppe para a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e o contador e professor universitário Nelson Rocha para a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). Com os nomes publicados na edição de amanhã do Diário Oficial, os dois são os primeiros confirmados na reforma de secretariado promovida pelo governo estadual após os oito meses em que Castro esteve como interino, no lugar de Wilson Witzel (PSC), até ser empossado em definitivo no último sábado.

A indicação de Chieppe para a Saúde sela o apoio do Progressistas (PP) à campanha de Castro para a reeleição no ano que vem. A escolha pelo nome do sanitarista foi alinhada com o deputado federal Dr. Luizinho e com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, ambos filiados à sigla. Conforme O GLOBO mostrou hoje, Castro utilizará a reforma em seu secretariado para promover um rearranjo de forças na administração e buscar a construção de uma frente de centro-direita que o apoie em 2022.

Ex-subsecretário de Vigilância em Saúde na SES, Chieppe está há 21 anos na pasta e vinha sendo cotado nos últimos dias para comandá-la, conforme adiantou a coluna de Berenice Seara no Jornal Extra. Ele é o quinto a assumir o comando da área durante a pandemia de Covid-19, que já deixou 45 mil mortos em território fluminense.

O antecessor, Carlos Alberto Chaves, único nomeado durante a interinidade de Castro, passou por desgastes na relação com o o governador e chegou a ser desmentido por ele depois de afirmar à imprensa que desconhecia a criação de um comitê científico para tratar da doença, no mês passado. Apesar da rusga, já superada, Chaves continuará no governo como coordenador logístico da entrega de vacinas contra a Covid.

Ao GLOBO, Chieppe afirmou que suas prioridades à frente da SES serão a campanha de vacinação contra o novo coronavírus e a ampliação do número de leitos disponíveis no estado. A intenção do secretário é aprofundar a iniciativa do governo de manter um calendário unificado de distribuição de doses para os municípios fluminenses e tentar garantir previsibilidade sobre o imunizante para a população.

— Temos que trabalhar para ter uma secretaria resiliente nesse sentido. É preciso farantir que a população que precise de leitos, seja para Covid ou outras especializadas, seja completamente atendida. Faremos isso de acordo com a dinâmica da epidemia — explica Chieppe.

Ao ser questionado sobre medidas de isolamento social para enfrentamento da Covid e outras ações relacionadas à circulação do vírus, Chieppe disse que, ao conversar com Cláudio Castro, colocou como condição para aceitar o cargo a garantia de liberdade para trabalhar de maneira técnica.

— A conversa que tive com o governador é que a SES vai seguir estritamente os critérios técnicos. Obviamente que precisamos levar em consideração a realidade do Rio de Janeiro (para discutir medidas contra a pandemia). Ter uma pasta técnica era um dos condicionantes para aceitar a SES. O governador garantiu essa autonomia — afirma o novo secretário.

Ainda sobre a Covid, Chieppe disse que não conversou com Castro sobre o comitê científico que o governador criou para consultar sobre a doença. No entanto, o novo titular diz que tem conhecimento do colegiado e submeterá ao corpo técnico da SES as recomendações que dele vierem, como já vinha sendo feito por Chaves.

— Não há conflito. Qualquer decisão do comitê, que tem papel apenas consultivo, será avaliado pelo corpo técnico da secretaria. Nenhuma decisão será tomada só com base no que um comitê ou outro decida. Se houver recomendações de ações que nós entendamos como adequadas, elas serão aceitas. O contrário também ocorrerá: agradeceremos o comitê pela recomendação, mas não optaremos por não segui-la — explica Chieppe.

Nelson Rocha, que, conforme adiantou O GLOBO, substituirá o economista Guilherme Mercês, já esteve à frente da Fazenda durante a gestão de Benedita da Silva (PT), em 2002. No estado, entre outros cargos públicos, também atuou na pasta de Assistência Social e ocupou o cargo de assessor chefe do Tribunal de Contas (TCE-RJ). Rocha foi ainda vice-presidente da Suderj (Superintendência de Desportos do Rio) e do time de futebol Vasco da Gama, entre 2009 e 2012, na gestão de Roberto Dinamite.

— Desde 2002, costumo dizer que nunca inventaram nada diferente para a Economia do que diminuir as despesas e aumentar a receita. Precisamos fazer isso considerando, é claro, os investimentos e a qualidade dos serviços públicos — analisa Rocha, que lidará diretamente com compromissos do Regime de Recuperação Fiscal (RFF), vigente desde 2017: — Vamos passar por um momento de renovação do RFF e discutirei o assunto com o governador e a minha equipe, assim que tiver em posse da íntegra dos dados. A ideia é fazer uma análise aprofundada e buscar soluções junto às outras pastas.

Assim como Mercês, Rocha é interpretado pelo governo como um nome técnico para a Sefaz. A troca ocorre, entre outros motivos, em uma tentativa do governo Castro de criar uma marca própria para a gestão — nomeado por Witzel, Mercês foi indicado ao ex-governador por Lucas Tristão, ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e pivô de uma crise com a Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj), em junho do ano passado.

Prevista para seguir ao longo desta semana, a reforma do secretariado de Cláudio Castro visa, além do PP, delimitar e ampliar espaços no governo de siglas como Republicanos, Solidariedade, PL, MDB, PSD e PSL.