Cláudio Castro promete reformar estações de trem e fazer concurso para docentes: ‘O Rio vai voltar a ser respeitado’

Em início de novo mandato, o governador Cláudio Castro (PL) afirma que pretende negociar com a equipe econômica de Lula uma revisão de metas do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) diante da queda de arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado do Rio. Ele anuncia ainda que encaminhará neste mês ao Conselho de Supervisão do acordo uma proposta para conceder o piso nacional dos professores. Nos Transportes, diz que está perto de fechar um entendimento para retomar as obras da estação Gávea do metrô. E, na Segurança Pública, conta que recebeu os primeiros rascunhos do que serão os presídios industriais. Ele ainda prometeu concurso para o magistério.

Qual a marca desta gestão?

É o Estado do Rio organizado, com credibilidade, competitivo economicamente. Quero devolver ao Rio o protagonismo que ele nunca poderia ter perdido. Somos os maiores produtores de petróleo, os maiores no turismo. Acabou a ideia de o Rio ser o filho problemático no Brasil. O Rio não é um balneário onde as pessoas vêm por causa de samba, churrasco e futebol. O Rio tem esse atrativo na hora certa, mas é empreendedor. Agora, legitimado pela urna, a tendência é que possamos melhorar mais o trabalho para defender o estado com mais força. Terei um ciclo inteiro, num momento em que o Rio está em equilíbrio, não na questão fiscal, mas na econômica. Viramos o ano com R$ 12 bilhões em caixa. Isso dá tranquilidade para trabalhar. Não tenho, por exemplo, problema de folha (de pagamento) em 2023.

Mas há uma dívida pública de mais de R$ 170 bilhões...

Que está toda equalizada, porque consegui renovar o Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Sobre o acordo, quais os pontos difíceis de cumprir?

Estamos no segundo regime. Os grandes cortes já foram feitos. Havia metas não cumpríveis no primeiro regime. O Rio precisava crescer 7%, enquanto o país reduzia 10%. Para o próximo momento, estou muito otimista, até devido ao equilíbrio político e financeiro.

Mas há preocupações?

Quando se tem renúncia (de arrecadação) de R$ 10 bilhões (em 2023) em virtude de uma lei federal (que reduziu a alíquota do ICMS de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações), as metas do regime vão ter que ser renegociadas.

Sobre o RRF, o último relatório do Conselho de Supervisão do Ministério da Economia apontou irregularidades nas contratações do projeto Agentes de Trabalho e Renda, da Fundação Ceperj. O senhor deu alguma resposta?

Esse fluxo de perguntas e respostas ao conselho é diário. Tudo o que ele publica já perguntou 500 vezes antes a nós. É um fluxo nosso, tranquilo.

E como está a interlocução com a nova equipe econômica do governo federal?

Ficaram de começar os diálogos depois de tomarem posse, mas já falaram que vão tratar o Rio com toda a deferência. Janeiro é o mês de todo mundo sentar na cadeira.

Tem previsão de um primeiro encontro com Lula?

Ele tinha marcado um encontro com os governadores para 7 de dezembro. Depois, ouvimos pela imprensa que ele não iria mais, porque só queria conversar com os governadores depois de empossado. Na hora em que eu for convidado para ir, eu vou com certeza. Tem muita pauta do Rio para a gente tratar. Foi o que eu disse o tempo todo (na campanha), que eu trabalharia com quem o povo escolhesse. Tive o meu candidato, dei uma votação expressiva para ele no meu estado. Mas a eleição acabou e, agora, vou trabalhar com quem o povo escolheu.

Ainda em Brasília, há um debate em curso sobre mudanças no ICMS. O que fará o Rio?

O projeto é continuar o mais competitivo possível. O que eu puder (fazer) para não aumentar imposto, não vou aumentar. Seria um estelionato eleitoral eu ganhar uma eleição com quase 60% dos votos falando algo e abrir (o mandato) aumentando imposto.

E a promessa do senhor de conceder o piso nacional dos salários dos professores?

Pedi um estudo ao Planejamento e à Fazenda. Como estou sob o RRF, mando em janeiro agora ao Conselho de Supervisão a proposta de adequação ao piso.

O aumento seria aplicado de imediato ou escalonado?

Vamos ver o que tenho de capacidade financeira. E também temos um déficit de professores, principalmente em disciplinas como Química, Física, Biologia e Matemática. Autorizei a preparar um concurso grande, sobretudo, para matérias em que a gente tem mais de dificuldades. Será em 2023.

O senhor afirma ter grandes pretensões para a Educação...

Será meu grande foco no início do mandato. Fala-se em escola de tempo integral, mas acredito no ensino forte durante um turno, e o contraturno com a vocacionalização, seja em cultura, esporte, tecnologia, cívico-militar... Meu grande sonho é que todas as escolas sejam vocacionadas. Também há a questão do ensino técnico. Há uma gama de empresários falando que ajudariam o estado financiando equipamentos, para que a gente tenha uma mão de obra, sobretudo perto de distritos industriais, como Queimados e Santa Cruz.

Já na Segurança, o senhor mantém seu secretariado, mas muda projetos?

O Cidade Integrada continuará sendo ampliado. Temos investido em bodycams (câmeras nos uniformes dos policiais), drones, viaturas semiblindadas... Ontem (quinta-feira passada), recebi os primeiros rascunhos dos presídios industriais. Vamos começar a trabalhar neles, já para construí-los.

E como o senhor vê críticas sobre a letalidade das operações policiais?

Essa crítica é normal. Estamos trabalhando para diminuir, com as bodycams. Mas a letalidade policial depende também de o outro não vir com a força que está tendo. Para não vir com a força que está tendo, é preciso ter uma política de fronteiras, que é federal. Por isso, é importante a parceria entre os entes. Já falei com o novo ministro (da Justiça) Flávio Dino, e o convidei para a primeira agenda dele de combate às milícias ser no Rio. Disse que o Rio está de portas abertas, que aqui não tem politização da Segurança Pública. Toda ajuda é bem-vinda.

O senhor citou as câmeras nos uniformes. Há resistência das polícias de elite para usá-las. Qual sua opinião?

O Bope e a Core têm toda a razão de ser contra. Eu também sou contra. Se a gente como sociedade não tem maturidade para manter um segredo de Justiça, imagina um vídeo que em que se mostra a tática da polícia? Polícia nenhuma do mundo mostra suas estratégias. Os policiais de operações especiais não podem ter bodycams. Isso é a minha segurança, a sua, a dele.

Na Saúde, o senhor prometeu novas unidades e reformas. O que esperar neste primeiro ano de segundo mandato?

O Rio Imagem Baixada entregamos no primeiro semestre de 2022. O Hospital de Oncologia da Região Serrana, no segundo. E o Instituto Estadual do Cérebro, em janeiro. Não é mais possível um estado que teve Copa e Olimpíada ter pessoas do interior, com câncer, que passam quatro horas em uma van na estrada para ter tratamento. E eu que perdi uma mãe de câncer? Isso é indigno para as famílias, sobretudo, para a saúde da mulher, que sabemos serem as mais vulneráveis. Determinei que, ao fim do meu governo, pelo menos em oncologia e cardiologia ninguém vai mais precisar viajar para ter atendimento. E estou muito preocupado com a saúde da mulher, por isso criei a Secretaria de Mulheres.

Transportes é uma área que deu muita dor de cabeça. Quais as soluções?

Para a estação Gávea da Linha 4, estamos pertinho de construir uma saída jurídica, acho que no primeiro semestre. Tem que entregar a estação funcionando, concluir a Linha 4 e colocá-la operacional. Já as Barcas vamos licitar. Na SuperVia, o aterramento dos cabos está de vento em popa. Estamos negociando a reforma de todas as estações e estudamos a compra de novos trens. Metrô está equalizado. E estou numa negociação com as empresas de ônibus para troca da frota.

O senhor viaja em janeiro a Nova York para se encontrar com representantes da Nasdaq (segunda maior Bolsa de Valores dos Estados Unidos)?

Dia 14, para a Bolsa Verde do Rio. Ela vem para cá. Já vou para assinar.

Que legado este novo governo deixará à população?

É um governo que não está tão preocupado com grandes obras para hoje. Prefiro pavimentar o caminho, trazer mais empresas e oportunidades para o Rio, preparar uma educação transformadora, uma saúde com dignidade e preparar os municípios para que sejam interessantes para a instalação de empresas. Temos a ideia de melhorar a vida das pessoas através do desenvolvimento. Vamos lutar para dar emprego, reduzir carga tributária... Não estou dizendo que vou fazer maravilhas, não. Primeiro, vou terminar o que comecei. Não adianta ficar prometendo aumentos malucos para o servidor. Eu prometo estabilidade. Esse é o governo da estabilidade, da credibilidade.