Cláudio Castro toma posse para seu segundo mandato no Rio e promete 'ciclo virtuoso'

O governador do Rio Cláudio Castro (PL) tomou posse para seu segundo mandato na manhã deste domingo (1º), em cerimônia realizada no Palácio Tiradentes. Em seu discurso, Castro ressaltou a recuperação econômica do Rio e ações em áreas como a segurança pública. Disse que assumiu o Rio na "mais profunda letargia", mas que agora se dá um "ciclo virtuoso". Diante de aliados e futuros secretários de seu novo mandato, não fez menções a sua relação com o governo federal, nem a Jair Bolsonaro, a quem apoiou na eleição passada. Também não mencionou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Leia a íntegra do discurso.

Castro iniciou seu discurso pedindo um minuto de silêncio em respeito à morte de Pelé e também às vítimas da pandemia da Covid-19 no Rio. Pouco depois, afirmou que a tragédia das chuvas em Petrópolis foi o período mais traumático de seu primeiro mandato.

Os acenos do governador do Rio, Cláudio Castro ao governo federal ficaram para uma breve coletiva de imprensa após ele ter sido empossado, antes de ele viajar para Brasília para a posse de Lula. Castro afirmou que sua relação com o novo presidente será baseada em pautas do Rio, como segurança pública e obras de infraestrutura.

— Estou cumprindo uma promessa de campanha. Disse que trabalharia com quem o povo escolhesse. Dei uma votação expressiva para o Bolsonaro aqui no Rio, mas a eleição acabou — disse Castro, que acrescentou — Eu e o presidente Lula somos funcionários do povo.

Castro também foi questionado sobre a viagem de Bolsonaro para o exterior antes da troca de comendo no governo federal.

— Não sou comentarista das ações dele — disse o governador, ao ressaltar que Bolsonaro deve ter os motivos dele.

Indiretamente, Castro aproveito também para se defender de denúncias que surgiram contra o governo.

— Ao longo dos últimos dois anos sofri muito, eu a minha família, seja com mentiras, ataques gratuitos ou boatos maldosos. Mas eu aprendi a superar isso com a verdade, com trabalho, retidão e honestidade — disse ele.

Durante seu discurso, Castro anunciou a conclusão de obras no estado e citou a implantação de câmeras nas fardas de policiais como uma das realizações de seu mandato.

— Na maior licitação do país, adquirimos mais de 21 mil câmeras operacionais portáteis. Só na Polícia Militar, já são cerca de 9 mil em operação em todos os batalhões de área. Assim, damos mais transparência e segurança jurídica às ações de patrulhamento e abordagem, protegendo os policiais e a sociedade.

Cláudio Castro, no entanto, se posicionou firmemente contra o uso da tecnologia na farda de policiais das unidades especiais das polícias Civil e Militar, o Batalhão de Ações Especiais (Bope) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Na primeira coletiva de imprensa após a posse, afirmou que vai “lutar judicialmente em todas as instâncias” contra a instalação de câmeras no Bope e na Core.

— Sou radicalmente contra câmeras em batalhões especiais. Quando o criminoso sabe o planejamento da polícia, a vida do policial fica em risco. Ainda não temos maturidade para tratar de sigilo, até informações em segredo de justiça vazam. Vou lutar judicialmente até a última instância contra a instalação de câmeras nessas unidades — disse.

Segundo o governador, o Museu da Imagem e do Som e o teleférico do Complexo do Alemão serão entregues em 2023.

— Antes abandonado, o Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, chegou a 82% das obras concluídas. A estação de Bonsucesso do Teleférico do Alemão está pronta e as demais reformas atingiram 65% de avanço. Em 2023, além da inauguração do MIS e do Teleférico, vamos entregar a Escola Dom Eugênio Sales, na Cidade de Deus, a Ponte da Integração em Campos, esquecida há mais de 40 anos, o Rio Imagem da Baixada e o Hospital do Câncer de Nova Friburgo — disse o governador.

O governador também anunciou a prorrogação do Supera RJ, auxílio emergencial de R$ 280 criado durante a pandemia até o final de 2023.

— O programa já atendeu cerca de 477 mil famílias em situação de vulnerabilidade, injetando R$ 557 milhões na economia de todos os 92 municípios do estado. E para garantir que essas famílias não fiquem desassistidas, acabei de sancionar uma lei que prorroga o Supera RJ até o dia 31 de dezembro de 2023 — disse.