Clínicas privadas montam lista de interesse em vacina da Covid-19 em SP

*Arquivo* SÃO PAULO,  SP, 23.03.2022 - Vacinação contra a Covid-19 na cidade de São Paulo; imunização agora também pode ser feita pela rede particular. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 23.03.2022 - Vacinação contra a Covid-19 na cidade de São Paulo; imunização agora também pode ser feita pela rede particular. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Clínicas particulares da cidade de São Paulo começaram a montar listas para aplicação de vacinas contra a Covid-19.

As clínicas passaram a receber o imunizante da AstraZeneca, importado, nesta segunda-feira (30). O preço da aplicação da dose deve variar entre R$ 300 e R$ 350, segundo a ABCvac (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas).

Fábio Gil Affonso, um dos donos da rede Vacinarte, com unidades na Lapa e Perdizes, na zona oeste, no Tatuapé (zona leste) e em Guarulhos, na Grande São Paulo, afirmou que cada lista terá de oito a dez pessoas.

O empresário disse que só comprará as vacinas para oferecer as doses quando ao menos seis listas estiverem confirmadas. Não há expectativa de quando começará a imunização contra a Covid-19 na rede.

"O problema é que um frasco, com dez doses, tem validade de apenas 48 horas. Assim, se fecharmos um grupo com oito doses e sobrarem duas, o desperdício não será muito grande", afirmou Affonso, destacando que, por contrato, a clínica tem que fazer uma compra mínima dez frascos, com validade até agosto.

"É diferente da vacina da gripe, que pode ser guardada ao longo do ano", afirma.

Segundo ele, as clínicas já estão recebendo telefonemas de pessoas em busca de informações sobre aplicação de doses contra a Covid na rede particular.

A reportagem ligou nesta terça (31) para 25 clínicas particulares ou hospitais que aplicam vacinas, em todas as regiões da cidade de São Paulo e no ABC. Nenhum desses locais afirmou ter a vacina contra a Covid-19 disponível. Os atendentes também não informaram sobre a previsão de chegada.

Dois funcionários de clínicas disseram que havia a possibilidade de o cliente deixar o contato para ser avisado de quando as doses chegarem.

Em uma clínica da Vila Leopoldina, na zona oeste, o atendente afirmou que a oferta do imunizante contra a Covid não estava nos planos por enquanto, devido ao curto prazo de validade do imunizante quando aberto.

Segundo a rede Vacinarte, há a procura de informações sobre a aplicação da quarta dose de vacina para pessoas com menos 60 anos, grupo que não faz parte do Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde nessa etapa de imunização.

De acordo com Affonso, para a aplicação no público entre 18 e 59 anos será necessária a prescrição médica, segundo Affonso. A exigência é uma recomendação da ABCVac.

Em nota, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Santiária) afirmou não "regulamentar o uso off label" de medicamento, ou seja, prescrito por conta e risco de médico.

A quarta dose não consta na bula da vacina da AstraZeneca.

De acordo com a ABCVac, a vacina da rede privada é igual à aplicada na pública, tendo sido importada diretamente da fabricante --apenas as embalagens são diferentes.

A AstraZeneca afirmou que possui cerca de 2 milhões de doses disponíveis para a rede privada, sendo que 1 milhão já sendo distribuída. O restante deve chegar nos próximos meses.

No dia 22 de abril, o governo de Jair Bolsonaro (PL) anunciou o fim da emergência sanitária no país. Pela regra, 30 dias após a decisão, clínicas e empresas privadas passaram a poder adquirir vacinas contra a Covid-19 sem necessidade de doação ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Até então, a rede particular já poderia adquirir os imunizantes contra a Covid, mas era a obrigada a doar tudo para o sistema público.

A vacinação na rede particular começa apesar de o país registra dificuldades para completar, na rede pública, os ciclos recomendados, com cobertura infantil estagnada, reforço baixo entre jovens e apenas 10% dos idosos com a quarta dose.

Segundo análise feita pelo jornal Folha de S.Paulo com dados do Ministério da Saúde e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), até o dia 24, a cobertura com o primeiro ciclo -duas doses ou dose única da Janssen- atingiu 81,5% entre os brasileiros de 18 a 29 anos.

A maioria deles, no entanto, não voltou depois de quatro meses para receber o primeiro reforço, indicado pelo Ministério da Saúde a todos os adultos desde novembro do ano passado.

As aplicações não decolaram nesta faixa etária e estão em queda desde março. Segundo o levantamento, apenas um terço dos jovens tomou a terceira dose (33%).

A quarta dose entre os idosos também apresenta baixa adesão. A cobertura com este segundo reforço é de somente 18% entre os brasileiros de 80 anos ou mais, elegíveis desde março em todo o território nacional.

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