Bolsonaro "ajuda bastante" se parar de "falar mal da China", diz Doria sobre atraso nos insumos das vacinas

João Conrado Kneipp
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João Doria, (PSDB) Governor of São Paulo, during a press conference on measures to combat the Coronavirus, (COVID-19) on Thursday, November 12, 2020 at the Palácio dos Bandeirantes in Sao Paulo, Brazil. During the press conference João Doria spoke about the São Paulo F1 GP and the Usina São Paulo concession contract, in Rio Pinheiros. (Photo: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)
Doria pediu que o clã Bolsonaro pare de 'falar mal da China' na tentativa de ajudar na chegada dos insumos para as vacinas. (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), deu um recado ao presidente Jair Bolsonaro e seus filhos ao manifestar preocupação com o atraso na liberação por parte do governo chinês dos insumos para as vacinas contra Covid-19.

Doria pediu que o clã Bolsonaro pare de “falar mal da China” ao ser perguntado, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (18), se a postura dos Bolsonaro prejudica o envio da matéria prima dos imunizantes da China ao Brasil.

“Se o presidente Jair Bolsonaro parar de falar mal da China, e seus filhos pararem de falar mal da China, isso já ajuda bastante. Pois os insumos para a vacina da AstraZeneca são produzidos na China. Os insumos para a vacina do Butantan são produzidos na China. E são as duas únicas vacinas aprovadas pela Anvisa. Pelo menos, se não atrapalhar já é uma ajuda”, afirmou Doria.

O presidente do Butantan, Dimas Covas, reconheceu que a demora em autorizar a exportação preocupa e pode afetar o cronograma de entrega de doses ao Ministério da Saúde. Covas disse que o cronograma atual de entregas acertado com o ministério será mantido desde que um novo lote de matéria-prima chegue até o final deste mês.

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“Preocupa sim a chegada da matéria-prima. Essa matéria-prima precisa chegar para não parar o processo de produção, e esperamos que isso aconteça muito rapidamente, porque se chegar antes do fim deste mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas”, disse o presidente do Butantan.

O instituto importa da China litros da vacina concentrada e envasa o imunizante em suas instalações, transformando, segundo Covas, mil litros de vacina concentrada em 1 milhão de doses.

ATAQUES DOS BOLSONARO À CHINA E CORONAVAC

O presidente já fez referências irônicas à China e questionou a transparência e credibilidade do país asiático por diversas vezes durante a queda de braço política entre Doria e Bolsonaro na “guerra da vacina”.

Bolsonaro criticou as circunstâncias do acordo do Butantan, disse que o governo federal não compraria a vacina e minimizou a eficácia do imunizante, que agora faz parte do PNI (Plano Nacional de Imunização).

Em outubro, quando o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou um acordo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. No dia seguinte, em um comentário no Facebook, Bolsonaro chamou o imunizante de "vacina chinesa de João Doria" e afirmou que não seria comprado.

No mesmo mês, durante evento em São Paulo, Bolsonaro reforçou que havia mandado cancelar o acordo e afirmou que não compraria nenhuma vacina com origem na China, porque o país teria um "descrédito muito grande".

No ano passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) protagonizou dois estremecimentos na relação entre Brasil e China.

Em março, o deputado culpou a China pela pandemia de Covid-19 e acusouo país de ter ocultado informação vital sobre o novo coronavírus. Depois, em novembro, defendeu uma proposta americana para impulsionar uma tecnologia 5G "sem espionagem da China".