Classe média encolhe no Brasil e chega ao menor patamar em 10 anos

Redação Notícias
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Homem posa de braço cruzado ao lado da geladeira. Pandemia do coronavírus resultou no aumento de brasileiros que vivem na extrema pobreza e no encolhimento da classe média no Brasil
Pandemia do coronavírus resultou no aumento de brasileiros que vivem na extrema pobreza e no encolhimento da classe média no Brasil (Photo by Bruna Prado/Getty Images)
  • Pesquisa mostra que classe média diminuiu em 2021 ao seu menor patamar em 10 anos

  • Pandemia do coronavírus aumentou número de brasileiros em extrema pobreza e levou ao desemprego e queda de renda na classe média

  • Grupo também deixou de compreender a maioria dos brasileiros, com queda para 47% da população

Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva mostra que a classe média diminuiu em 2021 ao seu menor patamar em mais de 10 anos em relação ao total da população. Além de aumentar o número de brasileiros que vivem em extrema pobreza, a pandemia do coronavírus levou ao aumento do desemprego e à queda da renda desse grupo.

De acordo com o estudo, a classe média deixou de compreender a maioria dos brasileiros. O percentual caiu de 51% em 2020 para 47% em 2021 - mesmo ‘tamanho’ da classe baixa.

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O G1 teve acesso à pesquisa e divulgou os números neste sábado (17).

Segundo o Instituto Locomotiva, a classe média atingiu a maior marca de 2011, quando compreendeu 54% da população brasileira. Famílias com renda mensal por pessoa (per capita) entre R$ 667,87 e R$ 3.755,76 são consideradas como classe média.

O percentual de 47% foi calculado a partir de projeções e análises estatísticas do Locomotiva com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em números absolutos, a "classe média tradicional" foi estimada em 100,1 milhões de pessoas em março, contra 105 milhões em 2020. Ou seja, a crise trazida pela pandemia empurrou 4,9 milhões de brasileiros da faixa intermediária de renda para a classe baixa.

"Essa camada da população não tinha poupança, nem os recursos da elite para passar bem por essa pandemia. Também não contaram com auxílios emergenciais ou políticas voltadas para a base da pirâmide, que foi quem mais sofreu durante a crise", afirma o economista Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.