Claudia Mauro fala da entrada em 'Travessia', do trabalho com a prima Giovanna Antonelli e dos 30 anos com Paulo César Grande: 'Nunca houve ciúme'

Claudia Mauro entrará em “Travessia” no capítulo desta terça-feira (10) como Pilar, mulher envolvida com a máfia que passa a perseguir e investigar Helô (Giovanna Antonelli). Ele fingirá ser diarista de um apartamento próximo ao da delegada e, a partir daí, se tornará amiga de Creusa (Luci Pereira), para quem se mostrará uma pessoa alegre, amante de samba.

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— Essa coisa de ter uma personagem com duas facetas é muito enriquecedor para um ator. Entrei numa novela já a mil, o que é um desafio. Mas, junto comigo, entrará o José Rubens Chachá, que faz o comparsa dela. Está sendo muito divertido — conta a atriz.

Estar em “Travessia” tem significados especiais para a atriz. Um deles é que, pela primeira vez, ela contracenará com Giovanna Antonelli, que é sua prima:

— Somos primas e temos uma relação próxima. Fomos mães de gêmeos quase na mesma época, o que nos aproximou ainda mais. Apesar disso, nunca havíamos trabalhado juntas. Então, é um encontro muito prazeroso.

Outro encontro ocorreu com Gloria Perez, a autora da novela. Apesar de ser a primeira vez que trabalham juntas, as duas têm uma relação de anos. Claudia era muito amiga de Daniella Perez:

— A Gloria colocou o nome da personagem da Daniella em “Barriga de aluguel” (1990) de Clô por minha causa. O meu apelido é Clô. Lembro que a Dani queria muito que eu também fizesse a novela. Acabou não acontecendo, mas agora finalmente estou trabalhando com a Gloria. É muito emocionante.

Além da carreira de atriz, Claudia vem investindo em vários projetos como autora. Um deles é o espetáculo “Na próxima estação”, que escreveu para Giuseppe Oristanio e o marido, Paulo César Grande:

— A peça trata de homens na faixa dos 60 anos que não seguem o padrão machista. Lá em casa, é o Paulo quem cozinha, lava roupa e faz tudo do dia a dia. Eu quis escrever sobre esse assunto e colocar na boca dos homens a discussão.

Em 2022, eles completaram 30 anos morando juntos:

— Nos conhecemos em 1990, começamos a namorar no ano seguinte e, em 1992, fomos morar juntos. O casamento oficial foi em 1994. Então, temos uma série de datas comemorativas (risos).

Sobre a longevidade do relacionamento, ela diz que o mais importante é manter a amizade viva:

— As pessoas dizem que é lindo um casal junto há tanto tempo. Eu acho que é lindo quando isso acontece pela escolha dos dois, e não pela falta de opções. Eu e Paulo somos muito parceiros. Acho que a amizade é o sentimento humano mais bonito e profundo que existe. O resto você administra. Ainda mais a esta altura da vida. Eu já passei dos 50, tenho muito mais passado do que futuro.

Na época em que começaram a namorar, Paulo era um dos galãs da TV brasileira:

— Ele era capa de LP (risos). A gente saía na rua e muitas mulheres vinham e pediam para tirar foto com ele, abraçavam. Depois, comecei a fazer a “Escolinha do Professor Raimundo” e também comecei a passar por algo parecido. Mas nunca houve ciúmes na nossa relação, sempre demos espaço ao outro. Não estou falando de relacionamento aberto, não é isso.

Ela conta que o fato de namorar Paulo também fez com que escapasse de algumas situações durante a carreira:

— Completei 40 anos de carreira como atriz e, quando eu comecei a fazer TV, já existia assédio de todas as formas com as atrizes. Eu acabei escapando disso porque eu era a namorada do Paulo César Grande. Ele era muito conhecido e respeitado, então, ninguém mexia comigo.

Claudia e Paulo são pais dos gêmeos Carolina e Pedro, de 12 anos, e ela diz que os dois aprendem muito com os filhos:

— Essa geração dos nossos filhos é muito antenada às questões sociais e tem muito a nos ensinar. Os dois identificam e se posicionam sobre questões sociais. Na creche, por exemplo, eles tiveram um professor transexual e, quando alguém se referia a ele pelo pronome feminino, corrigiam na hora.