Claudia Raia volta aos palcos em comédia musical e prepara peça sobre Tarsila

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*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.02.18 21h Claudia Raia.  Fernando Alterio oferece jantar em homenagem ao Ministro da Cultura Sergio Sa Leitao. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.02.18 21h Claudia Raia. Fernando Alterio oferece jantar em homenagem ao Ministro da Cultura Sergio Sa Leitao. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Minutos antes de começar o espetáculo, Jarbas Homem de Mello aparece de roupão no palco. O agradecimento pela presença do público, majoritariamente de máscaras e distanciados um do outro, antecede um aviso. "Esse é um ensaio aberto, algo pode estar fora do lugar."

Pelo que se propõe, a chance de erros na primeira apresentação de "Conserto para Dois, O Musical", após quase dois anos de hiato em decorrência da pandemia, era real. Mas não foi o que se viu na noite desta quinta-feira (30), no Teatro Procópio Ferreira.

Durante 1h40, Mello e Claudia Raia se alternam constantemente em nada menos que 12 personagens, com trocas de figurino que não demoram mais de dez segundos.

"A palavra-chave desse musical é sincronia", diz o ator e este repórter depois da exibição-teste. "Sincronia e precisão. Ainda estamos recuperando o fôlego de antes", complementa a atriz.

Ambos intercalam a interpretação de pessoas do sexo oposto, em um habilidoso jogo de vozes, personalidades e trejeitos.

O vaivém que se vê no palco está enredado em uma comédia com tons farsescos que narra a relação conturbada entre Ângelo Rinaldi, um escritor famoso, e sua esposa, Luna de Palma, uma atriz de cinema reconhecida internacionalmente, mas que ambiciona sair da aba do marido. A vida marital é atravessada pela presença asfixiante de dona Socorro, mãe de Luna, e Nestor, assistente pessoal da atriz.

O espetáculo começa com Rinaldi a bordo do navio Sinfonia dos Mares, em uma viagem para esquecer a companheira após um término traumático. O desenrolar da trama mostra que os desencontros na história do casal têm como pano de fundo traições, mentiras, ciúme e paixão.

Uma comédia bem amarrada com intervenções musicais precisas, nas composições de Thiago Gimenes, Tony Lucchesi e Anna Toledo, esta última também responsável pelo texto do musical.

A escolha pelo gênero foi intencional, mas a proposta era mais enxuta. "A Claudia é megalomaníaca", brinca Mello. "Sou mesmo", retrucou sorrindo a atriz. O casal comemora o fato de o projeto voltar a ser encenado no pós-pandemia. "A gente quer levar alegria para as pessoas, que elas possam sair daqui mais leves do que entraram", afirma Claudia Raia.

Além de São Paulo, a peça vai passar por cidades do interior do estado e capitais do nordeste até o ano que vem.

Após quase três anos de exibições, Claudia Raia e o marido, juntos há quase dez anos, dizem já ter incorporado aspectos dos personagens que encenam na vida cotidiana.

"Às vezes ele dá uma jogada de ombro e eu reconheço a dona Socorro, que foi inspirada na mãe dele", afirma a atriz. "O teatro é viajar na alma dessas pessoas, nas suas histórias. Elas habitam em nós e ficam nos rodeando enquanto vivemos esse texto", ressalta o ator.

Com o tempo, explica Claudia Raia, esses personagens vão morrendo e abrem espaço para outras histórias. No caso deles, esse distanciamento começa a acontecer em prol de outro musical, sobre a pintora e artista plástica Tarsila do Amaral. O pedido para recriar a vida da modernista no teatro surgiu após um encontro com a sobrinha-neta da artista, Tarsilinha do Amaral.

De acordo com o casal, o texto já está pronto e as músicas estão sendo feitas. O elenco ainda não foi escolhido, mas a ideia é que Tarsila seja interpretada por Claudia Raia. "É um ato político muito forte, ainda que apartidário. Todo aquele contexto é muito importante, com o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade, as viagens de Mário de Andrade, a tentativa de descoberta de um novo Brasil. Tudo isso estará no musical", conta Jarbas.

A atriz complementa. "É a maior artista da história do Brasil. Uma mulher forte, que enfrentou de tudo e não teve a vida fácil que muitos imaginam. O modernismo é um marco e nós precisamos contar essa história." A produção ainda não tem data de estreia, mas o centenário da Semana de 22 no ano que vem deve acelerar o término do projeto.

CONSERTO PARA DOIS, O MUSICAL

Quando: De 1º a 30 de outubro, de sexta-feira a domingo

Onde: Teatro Procópio Ferreira - Rua Augusta, 2.823

Preço: de R$ 37,50 a R$ 180 (aceita meia-entrada)

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