Cláudio Castro defende que Lula terá postura mais moderada do que diz Bolsonaro

Castro avaliou que “os nervos estão muito aflorados” nesta época de campanha (MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Castro avaliou que “os nervos estão muito aflorados” nesta época de campanha

(MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

  • Cláudio Castro defende que Lula terá postura mais moderada do que a acusada por Jair Bolsonaro;

  • Governador do Rio garantiu ser fiel ao presidente, mas aberto ao diálogo com o PT;

  • Ele também acredita que estratégia adotada por Bolsonaro é similar a de Marcelo Freixo.

O governador do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Cláudio Castro (PL), defendeu que o ex-presidente Lula (PT) terá uma postura mais moderada em um eventual mandato do que a acusada por seu aliado político, o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Castro avaliou que “os nervos estão muito aflorados” nesta época de campanha e referiu-se à disputa presidencial - liderada por Lula e Bolsonaro - como "uma guerra em que os dois lados usam armas”. “No final das contas, Bolsonaro não fez aquilo que as pessoas falam, e Lula não vai fazer aquilo que falam. É uma guerra política, de campanha”.

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Declaradamente fiel ao atual chefe do Executivo, o governador disse que ficará “mais feliz” se Bolsonaro vencer as eleições, mas se descreveu como um político aberto ao diálogo com o PT. "Não tenho problema nenhum com isso. Convivi muito bem com o presidente [da Assembleia Legislativa] André Ceciliano, que é do PT. [...] Ficarei mais feliz se o presidente Bolsonaro ganhar, mas exercerei o diálogo também se ele não ganhar”.

Durante a conversa, Castro justificou que o “clima bélico” que o país vive nestas eleições surgiu com a oposição de Bolsonaro, focada em evitar uma reeleição do atual presidente. “Quando você é agredido o tempo todo, acaba reagindo”, disse, apontando que “quando um quer, dois não brigam”.

Sobre a estratégia de Bolsonaro em usar corrupção e delações contra Lula, o governador opinou tratar-se da mesma adotada por seu adversário Marcelo Freixo (PSB) contra ele. “O Freixo hoje falou o quê? ‘O presidente Lula está livre e apto a ser candidato’. Eu sou livre e apto a ser candidato. As delações e as prisões dos ministros do Lula não têm a ver com ele. Mas ele [Freixo] fala que a de ex-secretários tiveram a ver comigo. É mais uma vez a grande guerra política”.

Segurança pública

À Folha, Castro defendeu as ações da polícia, responsável por mais de 30% das mortes violentas no estado, e criticou a força bélica do tráfico. “Hoje foram apreendidas uma arma para abater helicóptero e uma metralhadora que faz blindado virar margarina. Coisa de grandes arsenais. Quem tem um poder bélico desse não está brincando”, respondeu.

O governador ainda disse que a flexibilização do acesso às armas, priorizada pelo governo Bolsonaro, não prejudicou a segurança do Rio nem facilitou o porte por parte dos bandidos. Ele também duvidou da parcialidade de um estudo que aponta o crescimento de milícias desde 2018 e garantiu que o governo não ficou comprometido após a prisão de seu chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski.