Claudio Castro fala em chapa 'dos sonhos' com Pedro Paulo e Ceciliano, durante evento no Rio

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O governador do Rio, Claudio Castro (PL), fez um aceno ao grupo político do prefeito Eduardo Paes (PSD), na noite de quarta-feira, ao afirmar que o secretário municipal de Fazenda, o deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), seria o seu vice em uma “chapa dos sonhos”. O gesto aconteceu durante o lançamento de uma revista na capital fluminense.

Castro conversava com Pedro Paulo e com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT). Quem viu a cena conta que uma pessoa se aproximou dos três políticos e disse que ali estava a “chapa dos sonhos” para o governo do Rio — Castro como governador, Pedro Paulo, vice, e Ceciliano no Senado. Rindo, Castro concordou e disse que era sim uma boa composição. O clima entre eles era de descontração.

Por trás da brincadeira, no entanto, há uma verdade. Castro tem muito interesse em trazer Pedro Paulo para sua chapa e atrair o apoio de Paes, considerado um trunfo na corrida ao Palácio Guanabara e que já foi cortejado por outros pré-candidatos ao governo, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT). O prefeito do Rio, porém, continua a afirmar que seu candidato ao cargo é Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Paes, no entanto, não deixa de conversar com nenhum dos postulantes.

Em resposta ao afago de Castro, Pedro Paulo afirmou que tem uma boa relação com o governador, mas endossou o apoio à candidatura de Santa Cruz. O secretário também reforçou que pretende se reeleger à Câmara dos Deputados no ano que vem.

— Tenho todo o respeito, o apreço e uma relação ótima com governador Cláudio Castro, e agradeço a menção ao meu nome, mas o projeto do meu partido e grupo político é ter candidatura própria e o nosso pré-candidato chama-se Felipe Santa Cruz. E eu sou pré-candidato à reeleição a deputado federal — afirmou Pedro Paulo ao GLOBO.

O aceno de Castro a Pedro Paulo e a Ceciliano também representa um movimento do governador para o centro — algo que o mandatário tem tentado fazer para se distanciar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem é aliado e que hoje sofre uma queda acentuada na popularidade. Castro, no entanto, não rompe com o ex-capitão, pois ainda conta com os votos de bolsonaristas e mantém a imagem de ser o candidato da família Bolsonaro no estado.

A “chapa dos sonhos”, porém, poderia mudar o apoio que tem do presidente. Isso porque, ao acenar a Pedro Paulo, Castro se aproxima de Paes, um crítico de Bolsonaro e que já teve atritos diretos com o filho do presidente Carlos, vereador na capital fluminense. Além disso, o presidente da Alerj não é apenas um petista no Rio, mas o atual homem forte do ex-presidente Lula no estado. Lula é o principal adversário do Bolsonaro na corrida presidencial e, segundo mostram pesquisas, aparece à frente do presidente na intenção de votos.

O aceno de Castro a Ceciliano também romperia com a chapa oficial do governador, que tem já como candidato ao senado o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB). Inicialmente, o emedebista tinha pretenções de concorrer ao governo do estado, mas abriu mão da disputa para endossar a reeleição de Castro. Tanto o prefeito quanto o governador e o presidente da Alerj mantêm uma relação amistosa nos bastidores.

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