Claudio Castro isolado, Mujica tietado e presença de ex-bolsonaristas: os bastidores da sessão que deu posse a Lula

A sessão solene do Congresso Nacional em que tomaram posse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin foi acompanhada por parlamentares, futuros ministros, os chefes de autoridades dos Três Poderes, além de chefes de Estado e de governo de outros países. O petista chegou ao local por volta das 15h, de holls-royce, ao lado da primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja.

O ex-presidente do Uruguai José Mujica foi tietado por parlamentares governistas, como os deputados Marcelo Freixo (PSB-RJ), Maria do Rosário (PT-RS) e Jorge Solla (PT-BA). Ele foi convidado a vir ao Brasil pelo atual presidente do país, Luis Lacalle Pou, que também trouxe em sua comitiva o ex-presidente Julio Maria Sanguinetti. Os dois são adversários de Lacalle Pou. Ainda assim, o trio de uruguaios permaneceu junto e conversou entre si durante o evento.

A grande maioria dos parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro não compareceu à cerimônia. Por outro lado, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), aliado do ex-presidente, marcou presença no plenário da Câmara. O político do fluminense se sentou sozinho e passou alguns minutos mexendo no celular, sem interagir com ninguém. De cabeça caixa, ignorou o desfile em carro aberto de Lula, que era transmitido em um telão. O governador deixou o local antes de o petista chegar.

Também estavam presentes alguns antigos aliados de Bolsonaro, como o deputado federal Luis Miranda (Republicanos-DF). Apesar de integrar o grupo político que apoiou o ex-presidente, ele posou para uma foto ao lado do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS), que se elegeu em 2018 na onda bolsonarista, também circulou pelo plenário.

A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), que foi ministra da Secretaria de Governo, conversou com Haddad e com o futuro ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Flávia não chegou a romper publicamente com Bolsonaro, mas se afastou dele após ter sido derrotada por Damares Alves na disputa pelo Senado.

A sessão solene evidenciou ainda uma distância de alguns aliados de última hora de Lula, que foram escolhidos ministros mas ainda não têm proximidade com os novos companheiros. O deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), por exemplo, indicado ao Ministério das Comunicações, ficou no canto do plenário, ao lado do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), um dos responsáveis por sua indicação.

Sua correligionária Daniela do Waguinho (RJ), próxima ministra do Turismo, também se manteve distante. Em certo momento, diversas deputadas de partidos da esquerda posaram para uma foto a poucos metros dela, mas Daniela não foi convidada a participar. Tanto Juscelino Filho quanto Daniela já fizeram acenos a Bolsonaro no passado.

Em seu discurso, Lula fez um elogio à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que levou alguns dos presentes a aplaudirem e fazerem gestos de positivo em direção ao presidente da Corte eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, que estava sentado na primeira fila. Ele retribuiu balançando a cabeça em sinal de positivo.

Depois, no mesmo discurso, Moraes aplaudiu alguns dos trechos das falas do presidente, como o momento em que Lula afirmou “democracia para sempre” e quando criticou os decretos de Bolsonaro que flexibilizaram a posse e o porte de armas.