Cláudio Castro recebeu propina quando vereador e vice-governador do RJ, diz delator

Cláudio Castro afirmou que não comenta ações em segredo da Justiça - Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
Cláudio Castro afirmou que não comenta ações em segredo da Justiça - Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
  • Delator acusa Cláudio Castro de receber propina quando era vereador e vice-governador do RJ;

  • Depoimento é de Marcus Vinícius, empresário e ex-assessor de Castro;

  • Ele também aponta que o governador recebeu propina no exterior, em viagem para os EUA.

Uma delação premiada acusa o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), de receber propina na época em que era vereador na capital fluminense. O depoimento, dado pelo empresário e ex-assessor de Castro, Marcus Vinícius Azevedo da Silva, também detalha que o candidato à reeleição carregou propina em uma mochila quando era vice-governador do estado.

Marcos Vinícius também relata uma terceira situação, em que Castro recebeu propina de US$ 20 mil (R$ 104 mil, na cotação atual) no exterior, durante uma viagem com a família para Orlando, na Flórida (EUA), onde ficam os parques da Disney.

“Parte dos recursos que pagaram a viagem do Cláudio e da família lá em Orlando saiu dos cofres, da contabilidade do Novo Olhar [projeto desenvolvido no governo estadual pela empresa de Flávio Chadud], e foi direto para Orlando. Quando ele chegou lá, o dólar estava lá. Não precisou sacar aqui. A gente tinha como mandar recurso através de doleiro para o exterior, foi direto. Chegou lá, a pessoa só chegou e entregou para ele. Na época, acho que foi o equivalente a US$ 20 mil, se não me engano. Eu dei uma parte, Flávio [Chadud] deu uma outra”, disse Marcus Vinícius.

O relato foi colhido em julho pelo Ministério Público do Rio no processo da Operação Catarata, que investiga fraudes em projetos sociais da prefeitura e do governo do RJ. O UOL teve acesso aos depoimentos.

Em agosto de 2020, o delator já havia assinado um acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), homologado naquele mesmo ano pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello. O conteúdo segue sob sigilo.

Este novo depoimento de Marcus Vinícius durou uma hora e meia, sendo que 25 minutos foram dedicados aos supostos esquemas de corrupção envolvendo Cláudio Castro. Esta, inclusive, não é a primeira vez que o esquema de propina em mochila é citado; em ocasiões anteriores, o empresário Bruno Selem também detalhou o ocorrido.

Por meio de sua assessoria, Castro disse que não comenta “ações que estão em segredo de Justiça. O vazamento desse conteúdo é criminoso e visa única e exclusivamente interferir no processo eleitoral. Infelizmente no Rio de Janeiro há uma indústria de delações feitas por criminosos que querem se livrar da cadeia e acusam autoridades de forma leviana".

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