Ex-presidente da Anvisa critica Bolsonaro por tese de imunidade de rebanho: 'fomos tratados como animais'

·2 minuto de leitura
O médico sanitarista Cláudio Maierovitch fala à CPI da Covid-19 no Senado - Foto: Reprodução/TV Senado
O médico sanitarista Cláudio Maierovitch fala à CPI da Covid-19 no Senado - Foto: Reprodução/TV Senado
  • Ex-presidente da Anvisa lamentou falta de coordenação federal durante a pandemia no país

  • Segundo médico, governo Bolsonaro apostou erroneamente em tese de imunidade de rebanho contra a Covid-19

  • Maierovitch chamou plano de imunização posto em prática no país de 'pífio'

O médico sanitarista Cláudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa e hoje na Fiocruz, depõe nessa sexta-feira (11) na CPI da Covid-19 no Senado. Em sua fala inicial, o especialista criticou a postura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) de, segundo ele, ter adotado uma estratégia de "imunidade de rebanho" para conter a pandemia no país.

O sanitarista listou virtudes que o país possuía para combater a crise sanitária e exaltou o SUS e outros fatores para responder à emergência de saúde pública, atingindo toda a população. No entanto, segundo Maierovitch, a gestão Bolsonaro optou deliberadamente por apostar numa propagação do vírus, com a esperança de atingir uma "imunidade de rebanho"

Leia também

"Esse era um plano que parou em março de 2020 em alguns lugares do mundo(...) Morreriam provavelmente os mais frágeis, desonerando a previdência, desonerando os serviços de Saúde e, do ponto de vista econométrico, poderia ser até um acontecimento positivo. Assinalo que não gosto do termo 'rebanho', não existe nenhum coletivo de 'pessoas' que pode ser traduzido como 'rebanho'. Esse termo se refere a animais e acredito que a população brasileira tem sido tratada dessa forma", afirmou o ex-presidente da Anvisa. 

Médico vê plano de imunização pífio

Foto: REUTERS/Carla Carniel
Foto: REUTERS/Carla Carniel

Maierovitch criticou também a falta de coordenação federal por parte da gestão Bolsonaro, além de destacar que não houve comunicação eficaz sobre as formas de se proteger da Covid-19. 

"O plano de imunização que temos agora é pífio, não possui critério homogêneos pro Brasil inteiro. Coube aos estados e municípios, parece democrático, mas com escassez de recursos torna-se difícil o gerenciamento dos critérios", analisou o médico sanitarista.

Ele lembrou também um fato que vem sendo frequentemente destacado nas sessões da CPI: a demora e a negligência da gestão Bolsonaro em adquirir imunizantes para o país.

"Não tivemos sequer estímulo a aquisição, pelo contrário, vimos um desestímulo do governo de quem um grande laboratório nacional pudesse produzir. Assistimos debates sobre o que ocorreu a Pfizer, pouco foi mencionado sobre Janssen e sem negociação de contrapartida", lamentou Maierovitch.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos