Clero francês participa em Lourdes de oração de perdão por abusos de menores

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Bispos franceses se ajoelham para pedir perdão, em 6 de novembro de 2021, em Lourdes, no sul da França (AFP/Valentine CHAPUIS)

Bispos, padres, chefes de ordens religiosas e fiéis franceses recordaram, no sábado (6), as vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero, no santuário de Lourdes, no sul do país, e participaram de uma oração de penitência.

"Queremos deixar plasmado em Lourdes um testemunho visual que recordará tanta violência, drama e agressões", disse o porta-voz da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Hugues de Woillemont.

Em outubro, a Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja (Ciase) estimou que cerca de 216.000 menores foram vítimas de abuso por parte de padres e religiosos na França entre 1950 e 2020.

O relatório concluiu ainda que houve "entre 2.900 e 3.200 pedófilos" entre os 115.000 padres, ou religiosos, registrados nessas sete décadas e que 80% das vítimas foram meninos entre 10 e 13 anos.

Neste sábado, em Lourdes, foi colocada uma fotografia que mostra a escultura de uma criança chorando. Será uma espécie de pedra angular de um "lugar de memória" que os bispos decidiram criar neste santuário. A fotografia foi tirada por uma vítima.

Durante a cerimônia, uma outra vítima leu um texto sobre a violência sofrida por outra pessoa alvo destes abusos. Na sequência, mais de 120 bispos acompanhados por laicos participaram de uma oração de penitência. Alguns deles se ajoelharam.

Em Lourdes, segundo a tradição, a Virgem Maria apareceu em 1858 para um adolescente de 14 anos. Até o início da pandemia da covid-19, este santuário era visitado por milhões de peregrinos todos os anos.

Na sexta-feira, os bispos franceses reconheceram a "responsabilidade institucional" da Igreja Católica nos abusos sexuais de menores, uma das recomendações do devastador relatório publicado semanas antes.

A França seguiu, com a publicação desses números, os passos de Austrália, Irlanda, Estados Unidos, ou Alemanha, onde se investigou o alcance desse drama que abala a Igreja Católica há décadas. Em outros países, como a Espanha, é forte a resistência para seu esclarecimento.

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