Clima ainda é tenso um dia após a operação que resultou em 25 mortes no Jacarezinho

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No dia seguinte ao da operação policial que terminou com 25 mortos na Favela do Jacarezinho, o clima ainda é de muita tensão na comunidade da Zona Norte do Rio. Nas ruas internas, parte do comércio abriu as portas, mas a grande maioria permanecia fechada. Já os moradores tentavam retomar a rotina, na medida do possivel. Próximo à estação de trem criminosos armados com fuzis circulavam normalmente, deixando o ambiente ainda tenso. Mais cedo houve manifestações promovidas por ONGs como Rio de Paz.

A maior parte dos moradores evitavam comentar sobre a operação, olhavam com desconfiança e se esquivavam dos profissionais de imprensa e das viaturas da Polícia Militar estacionadas na entrada da comunidade. Uma das poucas a falar, a dona de casa Jane Camilo mora no lado oposto da Avenida Dom Helder Câmara, que corta a comunidade. Ela esperou a manhã do dia seguinte para procurar as irmãs, que moram no lado onde houve a operação.

— Moro do outro lado e fiquei nervosa, chorando enquanto falava com as minhas irmãs pelo telefone. Ficava escutando os tiros e os gritos pelo telefone, queria poder ir até elas mas não podia. Como a luz acabou dentro da favela, chegou uma hora que acabou a bateria e não tinha como carregar. Passei a noite em claro sem notícias. Agora cedo que soube que estavam bem e estou podendo ir vê-las. É horrivel viver num lugar assim, sem poder viver normalmente — criticou.

O caminhoneiro Daniel Santana contou que passou a noite fora de casa. Ele havia sido deixado na entrada da comunidade no momento do inicio da operação e quando se preparava pra ir para casa, foi surpreendido pela entrada dos policiais e os tiros. Para se proteger, se jogou no chão e depois saiu da comunidade, indo para a casa de amigos.

—O caminhão tinha acabado de me deixar na entrada (da comunidade). Se eu tivesse uma câmera, era uma cena de filme. Só escutei o “sai da frente” e os caras de preto passando e estouraram os tiros. Era muito mesmo. Em 30 anos aqui nunca tinha ouvido isso. Me joguei no chão e queria ir pra casa, mas não tinha como. Tive que voltar e fiquei do lado de fora ouvindo os tiros. Depois fui para a casa de um casal de amigos e fiquei lá.

Outros moradores que não quiseram se identificar relataram que boa parte da comunidade está sem luz, pois transformadores foram atingidos por tiros. Uma moradora, afirmou que a frente de sua casa foi bastante atingida. Ela disse que está com medo e teme novas ações policiais no Jacarezinho.

—A morte desse policial vai nos custar muito caro. Ontem eles (policiais) gritavam que queriam vingança. Estou com medo de sair —disse.

Mais cedo, ONGs como a Rio de Paz e a Parem de nos matar realizaram uma manifestação na Avenida Dom Helder Câmara, em frente a entrada da Cidade da Polícia. Eles interromperam o trânsito na via e depois caminharam até a entrada do Jacarezinho. Ao longo do dia estão previstos outros protestos na região.

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