Clínica suspende eutanásia de colombiana que não tem doença terminal

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Martha Liria Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia
Martha Liria Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia (Foto: Reprodução)
  • A clínica responsável pela eutanásia da colombiana Martha Liria Sepúlveda suspendeu o procedimento

  • Ela seria a primeira pessoa sem estado terminal a ter o procedimento liberado na Colômbia

  • A eutanásia, ou morte assistida, é legalizada na Colômbia desde 1997

A clínica responsável pela eutanásia da colombiana Martha Liria Sepúlveda, liberada pelo governo do país, suspendeu a autorização do procedimento neste domingo (10), segundo a rádio Caracol. Ela seria a primeira pessoa sem estado terminal a ter o procedimento liberado na Colômbia.

"Após reunião, em que revisamos e analisamos de forma ampla o pedido de Martha Liria Sepúlveda, decidimos de maneira unânime cancelar o procedimento de eutanásia, programado para 10 de outubro de 2021", afirmou a instituição de saúde à rádio.

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A eutanásia estava marcada para as 7h (hora local, 9h em Brasília). Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, tem esclerose lateral amiotrófica (ELA).

A clínica disse também que a decisão é amparada pelo Ministério da Saúde, que pede a criação de um comitê para avalizar este tipo de procedimento. "A partir de relatórios atualizados do seu estado de saúde e da evolução da paciente, definimos que não se cumpre o critério de doença terminal que havia sido determinado por um primeiro comitê", disse a clínica.

Entenda o caso

A Colômbia, primeiro país na América do Sul a autorizar a eutanásia, legalizou a morte assistida desde 1997. A prática, porém, valia apenas para pacientes que tivessem doenças terminais como uma forma de abreviar o sofrimento da pessoa em situação já irreversível, se assim fosse a decisão dela.

Em entrevista à TV Caracol, da Colômbia, ela relatou sentir dores e ter perdido o movimento das pernas, o que a atrapalha na vida cotidiana. Em julho de 2021, a Corte Constitucional aprovou a extensão do acesso à eutanásia para pessoas que não estejam em estado terminal.

Pouco depois da decisão da Corte, Martha conseguiu a autorização. Primeiro, gostaria que a eutanásia fosse aplicada em 31 de outubro, mas preferiu antecipar para 10 de outubro, na hora em que costumava ir à missa.

"Sou uma pessoa católica, me considero alguém que crê muito em Deus, mas, repito, Deus não quer me ver sofrer e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem", disse ela em entrevista à emissora colombiana.

Por ser católica, a decisão de Martha encontra muita resistência dentro da Igreja. O bispo Francisco Ceballos tentou convencê-la a desistir da eutanásia e defendeu que "a morte não pode ser a resposta terapêutica à dor e ao sofrimento em nenhum caso".

"Quero dizer à minha irmã Martha que ela não está sozinha e que o Deus da vida sempre nos acompanha, e que sua tribulação pode encontrar um sentido transcendental, uma chamada ao amor que se renova", pediu o bispo, em vídeo divulgado nas redes.

"A resposta [que dou a eles] é a mesma: faço isso porque estou sofrendo e porque creio em um Deus que não quer me ver assim. Para mim, Deus está me permitindo isso, então se gosta de mim, não gosta de me ver nesta situação", justifica Martha.

O filho dela, Federico, de 22 anos, reconhece que gostaria de ter a mãe por mais tempo, mas afirma que aceitar a decisão da eutanásia é o "maior ato de amor" que já fez: "Em princípio preciso da mamãe, quero ela comigo, quase em qualquer condição. Mas sei que em suas palavras ela já não vive mais, apenas sobrevive".

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