Clube com maior visibilidade na Copa, PSG volta a campo com atenções voltadas para efeitos do Mundial em trio de astros

Na volta das ligas europeias após a pausa para a Copa, um dos retornos mais aguardados é o do Paris Saint-Germain. Não pelo jogo em si, já que o Strasbourg, adversário desta quarta, às 17h (de Brasília, ESPN transmite), é o penúltimo colocado do Campeonato Francês. Mas porque nenhum clube capitalizou tanto com o Mundial do Catar quanto o PSG. Agora, os olhares estão voltados para como o time reagirá aos efeitos do torneio de seleções.

As expectativas são positivas. Afinal, Lionel Messi e Kylian Mbappé, os dois protagonistas do Mundial, atuam lado a lado no PSG. Assim como Hakimi, estrela da seleção marroquina, a grande surpresa do torneio. Mas, entre eles, há uma grande incógnita sobre Neymar.

Parte do trio que lidera o time, o brasileiro fez uma Copa frustrante tanto no sentido coletivo (eliminação nas quartas) quanto individual (perdeu parte da competição devido à lesão no tornozelo). Segundo a imprensa francesa, o clube irá monitorar a reação de todos os jogadores que disputaram o Mundial. Mas Neymar é o que mais concentra atenção.

Não é para menos. O camisa 10 foi o grande nome da primeira parte da temporada. Com o Catar na mira, marcou 15 vezes e deu 11 assistências, sendo o jogador com mais participação em gols do elenco ao lado de Messi (12 bolas na rede e 14 passes para os companheiros marcarem). Ele faz, inclusive, seu melhor começo de temporada em solo europeu. Resta saber se a decepção com o Mundial irá afetá-lo.

Há um agravante no caso de Neymar: o restante de temporada pode ser determinante para seu futuro. Contratado em 2017 como alicerce do projeto esportivo do PSG, o brasileiro retorna da Copa como a estrela menos brilhante do badalado trio de ataque. Um dado é significativo. De acordo com o jornal francês Le Parisien, a venda de camisas atingiu pico no site oficial no dia da final entre Argentina e França e no dia seguinte. O número de Messi foi o mais comercializado no domingo. Mas, na segunda, mesmo com a derrota, Mbappé foi o mais buscado. Seu desempenho na final, com um hat-trick, aumentou ainda mais a admiração do torcedor.

O camisa 7 do PSG, por sinal, é outro que desperta atenção. Sua reapresentação aos treinos em menos de 72 horas surpreendeu o clube. Ele abriu mão dos dez dias de descanso concedidos a todos os que participaram do Mundial. Pela idade (24 anos) e o histórico de poucas lesões, a preocupação com a condição física é menor do que a com o cansaço mental.

— Na verdade, dada a sua idade e suas qualidades atléticas, ficaria mais atento à dimensão psicológica do que à física. Você tem que medir a decepção, a frustração. Esse aspecto mental liberará uma fadiga que devemos identificar claramente para fornecer soluções — explicou ao L’Equipe o preparador físico do clube Jean-Cristophe Hourcade.

Tanto ele quanto Neymar vão entrar em campo nesta quarta. Mas não será surpresa se não atuarem o jogo inteiro. A comissão técnica tem um planejamento para os regressos do Catar que prevê utilização cautelosa até as partidas com o Bayern de Munique, pelas oitavas da Liga dos Campeões da Europa, em fevereiro.

Quem não estará em campo é Messi. O argentino vai curtir a conquista da Copa pela seleção até a virada do ano. O clube permitiu que ele só se reapresente em 3 de janeiro. A expectativa é de que toda a felicidade pelo título inédito no currículo o motive ainda mais.

Satisfeita com o retorno comercial dado no primeiro ano, a diretoria conversa com ele por uma renovação até 2024. Agora esperam pelo resultado esportivo. Seu bom começo de temporada e o sucesso no Catar mostram que, apesar dos 35 anos, o meia ainda tem muito a dar.