Clubes, Ferj e prefeitura do Rio trabalham pela volta do Carioca em 14 de junho

Igor Siqueira
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O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o presidente do Vasco, Alexandre Campello -

Em reunião com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, dirigentes de clubes do Rio e da Ferj entraram em acordo de trabalharem pela volta das partidas do Carioca a partir de 14 de junho. Até lá, os clubes farão trabalho de recondicionamento e fisioterapia, mediante cumprimento do protocolo.

Entre os grandes, Flamengo e Vasco participaram da discussão deste domingo. Fluminense e Botafogo não compareceram. A diretoria rubro-negra foi representada pelo presidente Rodolfo Landim e o chefe do departamento médico, Márcio Tannure. Entre os pequenos, estiveram presentes Boavista e Cabofriense.

- O ideal era que a partir de 1º de junho fosse liberado para treino para voltar a jogar dia 14. O movimento de volta aos treinos vai aumentar ou não a contaminação? A gente entende que e não, e já mostrou que não. A questão passa a ser mais política, do sinal que estamos dando. Estamos mostrando que o futebol está na vanguarda, criou protocolos, está dando exemplo. O protocolo prevê testes de atletas, funcionários e familiares, os chamados contactantes - disse ao GLOBO o presidente do Vasco, Alexandre Campello.

A volta dos treinos, de forma mais intensa, com trabalhos 11 contra 11, ainda será discutida pelas partes. No mundo ideal, isso aconteceria no dia 1º de junho. Mas o debate prosseguirá ao longo dos próximos dias.

Desde o começo da semana, o Flamengo já usa as instalações do Ninho do Urubu para o trabalho de recondicionamento físico dos atletas. Os dirigentes rubro-negros entendem que isso não desrespeita o decreto da Prefeitura. O Vasco, por sua vez, pretende concluir os testes no começo desta semana e, sob posse dos resultados, iniciar trabalho similar de recondicionamento.

- O trabalho de fisioterapia não é só uso de aparelho, gelo. Os atletas fazem trabalho de prevenção. Isso é fisioterapia. Existe uma zona mista, uma área de transição. Entendo que o que tá proibido é o coletivo - explicou Campello.

Da parte dos alvinegro e tricolores, presidentes Nelson Mufarrej e Mário Bittencourt se manifestaram ao longo do dia para reforçar o posicionamento contrário à volta das atividades.

- O futebol é um instrumento de altíssimo impacto e repercussão social. Passar essa imagem de retorno imediato, no auge da crise, de mortes, com a curva ainda em ascensão , é estar em desconexão com a realidade. Além de desumana é insensível do ponto de vista interno, com nossos atletas, comissão técnica, funcionários e seus familiares - disse Mufarrej, via assessoria, ressaltando que a postura já era de conhecimento de Crivella.

Por parte do Fluminense, a linha é similar. O tricolor chegou a alegar que não foi à reunião por falta de convite formal do prefeito. "O Fluminense entende a necessidade de volta dos jogos em razão de pressões econômicas, sobretudo entre os clubes de menor possibilidade financeira. (..) Mas não dará um passo em direção ao campo enquanto não houver certeza sobre as condições seguras para nossos atletas, nossos profissionais e nossa torcida", publicou o clube, em nota.

Sobre a ausência dos rivais, Alexandre Campello comentou:

- Não querem se expor. Nós, como eles, vamos voltar quando for autorizado. Mas não nos furtamos de discutir, de mostrar que estamos dando mais segurança aos atletas.

A Ferj marcou para esta segunda-feira uma reunião virtual com os clubes da elite do estadual. A ideia é debater a fase 2 do protocolo Jogo Seguro, novos prazos para registro de contratos, intervalo mínimo entre partidas, jogos fora do estado do Rio e mandos de campo.

Com isso, a entidade sinaliza que o modelo de tabela pode sofrer ajustes, diante do cenário de exceção trazido pelo coronavírus. As partidas seriam com portões fechados.