Clubes que não assinaram criação da Libra expõem divergências e pedem debate maior

Os 14 clubes da Série A que não assinaram o documento de criação da Libra, a liga do futebol brasileiro, se pronunciaram em conjunto na noite desta terça-feira. Por meio de nota oficial, eles expuseram seus pontos de discordância com os seis idealizadores do projeto (Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino).

O principal ponto de divergência é a distribuição da arrecadação com transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro. Os seis fundadores da Libra propõem uma divisão semelhante a que ocorre atualmente: 40% distribuídos igualmente, 30% por classificação e 30% pelo que chamam de engajamento. Já os 14 questionam a cota de receita igualitária (preferem que ela seja de 50%) e a diferença entre o que seria recebido pelo campeão e o último colocado.

Apesar das discordâncias, o tom da nota não é de confronto. Os 14 signatários se comprometeram a participar da próxima reunião sobre o tema, marcada para o dia 12, na sede da CBF, no Rio. Eles ainda consideram assinar o documento de criação da liga "tão logo seja possível uma análise aprofundada sobre os critérios mencionados".

Confira abaixo a nota na íntegra:

Os clubes signatários receberam, na última sexta-feira, a convocação para a reunião realizada nesta terça-feira (03/05/2022) em São Paulo, com o objetivo de discutir os termos da criação da Liga de futebol profissional brasileira.

Os clubes prontamente se dispuseram a comparecer ao encontro, a despeito da convocação emergencial, demonstrando, com isso, que estão absolutamente cientes e engajados na formalização da entidade, com ampla adesão das Séries A e B.

Entre as muitas razões para a formação da liga está a premente necessidade de se elevar o nível de qualidade do futebol brasileiro, resgatando seu protagonismo no cenário mundial. O caminho para alcançar este objetivo é, sim, a construção de um campeonato forte, com clubes revitalizados e um padrão de equanimidade nas condições de disputa.

A ideia da liga tem o mérito de prever maiores receitas para os clubes, que poderiam conviver em um ambiente mais equilibrado financeiramente. Porém, as condições apresentadas para a incorporação das agremiações à Liga ainda não permitem exatamente o cumprimento do objetivo principal, que é a busca de uma equanimidade entre os clubes.

O documento apresentado e por ora assinado apenas por alguns Clubes apresenta regras de distribuição de receitas que pouco reduzem a atual disparidade de divisão de receitas. Há sim ali uma redução da diferença, mas ainda aquém do ideal, o que pode ser facilmente atingido por meio do diálogo.

Entre as várias questões a serem discutidas, os aspectos principais são o percentual previamente definido para a distribuição de receita igualitária, o limite a ser estabelecido como diferença de receita entre o primeiro e o último clube da competição. Há, ainda, outros pontos a serem debatidos, sobretudo no que tange ao critério de engajamento, mas que podem ser objeto de aprofundamento após o efetivo ingresso dos Clubes signatários na Liga.

Os clubes signatários desta carta se dispõem a assinar a formação da Liga tão logo seja possível uma análise aprofundada sobre os critérios mencionados, além de outros, de menor impacto e que podem ser analisados no momento oportuno, mas igualmente importantes, razão pela qual confiam que, até a próxima reunião, com possíveis avanços no entendimento de solucionar tais pontos será possível chegarmos a uma adesão de Clubes em maior número e com isso a formalização da Liga com muita força e unidade.

América-MG, Atlético-MG, Athletico-PR, Atletico-GO, Avai, Botafogo, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude

Na manhã desta terça, Cruzeiro e Ponte Preta se uniram a Flamengo e aos times paulistas da Série A (Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino) e assinaram o documento de criação da liga de clubes do futebol brasileiro.

Ficou definido que ela será batizada de Libra (Liga do Futebol Brasileiro). Eles esperam fazer o anúncio oficia no dia 12 de maio, em evento na sede da CBF, já com a adesão de outros clubes das Séries A e B.

Os representantes dos clubes se reuniram num hotel de luxo em São Paulo, onde discutiram a proposta da Cadajas Sport Kapital (CSK), do advogado Flavio Zveiter. A empresa tem o suporte do banco BTG.

Os demais clubes concordaram em decidir sobre a adesão ou não ao projeto até o dia 12. A maior parte deles faz parte do Forte Futebol, que reúne dez emergentes (América-MG, Athletico, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Goiás e Juventude) e quer uma cota financeira maior. Entre eles está o maior opositor do projeto em curso, o presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia.

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