CNI projeta crescimento de 4,4% para o setor em 2021

Gabriel Shinohara
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BRASÍLIA — A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta um crescimento de 4,4% para o setor e 4% para o PIB em 2021. As estimativas constam no Informe Conjuntural divulgado nesta quarta-feira pela entidade.

De acordo com a CNI, parte desse crescimento para o ano que vem é explicado por uma base de comparação mais baixa deste ano. A estimativa é que o PIB tenha queda de 4,3% e o PIB industrial, de 3,5% em 2020 na comparação com 2019.

“Cabe ressaltar que parte significativa do crescimento é explicada pela base de comparação, o chamado carregamento estatístico. Como a recuperação foi rápida (em especial na indústria), o ano de 2020 se encerrará com um volume de produção acima da média de 2020”, diz o documento.

Na avaliação da Confederação, a recuperação da economia está acontecendo de forma heterogênea, com o comércio e a indústria voltando mais rapidamente do que os serviços, por exemplo, que são mais afetados pela necessidade de distanciamento social.

Apesar dos números de retomada, a CNI vê muita incerteza para 2021 que só diminuirá com a iminuização da maior parte da população por meio da vacinação contra o coronavírus. A entidade alerta que não é possível descuidar da saúde pública nem da economia.

"O número de casos de Covid-19 tem aumentado, não apenas entre os brasileiros, mas também no restante do mundo. A aceleração do contágio aumenta o risco de uma nova freada na economia".

A projeção para o próximo ano prevê uma retomada do ajuste fiscal e o cumprimento do teto de gastos pro parte do governo. Além disso, a Confederação ainda defende a agenda de reformas, como a tributária, a administrativa e a PEC emergencial.

"Os efeitos da agenda de competitividade sobre a economia não são imediatos. Mas seu avanço, ao mesmo tempo que se tem o ajuste fiscal como meta (com estratégia clara e crível de cumprimento), será capaz de reduzir as incertezas e, consequentemente, as pressões sobre as taxas de câmbio e de juros".

A CNI destaca ainda que a pandemia causou uma desorganização na produção industrial. Em certo ponto da crise, o setor diminuiu a produção e não acumulou estoques. Dessa forma, quando a retomada aconteceu de forma mais rápida do que a esperada, a indústria enfrentou problemas de falta de insumos, o que, entre outros fatores, causou o aumento de preços.

“O setor produtivo não conseguiu responder de forma homogênea provocando restrições nos elos das cadeias produtivas. A Indústria está com dificuldade de obter insumos e/ou matérias primas e, consequentemente, com dificuldade de atender seus clientes”.