Governo britânico sofre primeira derrota na tramitação da lei do "Brexit"

Londres, 18 abr (EFE).- O governo do Reino Unido sofreu nesta quarta-feira a primeira derrota na tramitação da lei do "Brexit" na Câmara dos Lordes, que aprovou com 348 votos a favor e 225 contrários uma emenda favorável à permanência do país em uma união aduaneira com a União Europeia (UE).

Apesar da derrota, um porta-voz do Ministério para a Saída da UE ressaltou que essa modificação na versão final da lei não obriga o Reino União a se manter em uma união aduaneira com o bloco.

A Câmara dos Comuns aprovou em janeiro um projeto para incorporar grande parte das leis europeias ao corpo legal britânico assim que o Reino Unido romper os laços com o bloco. A separação definitiva deve ocorrer em 29 de março de 2019.

O projeto passou a ser avaliado pela Câmara dos Lordes, que iniciou hoje a fase de relatoria, na qual os parlamentares podem apresentar emendas, o que deve durar até meados de maio.

Ao contrário da Câmara dos Comuns, a primeira-ministra do país, Theresa May, não tem maioria na Câmara dos Lordes. Os parlamentares ocupam vagas hereditárias, sendo designados pelos partidos ou pela Igreja Anglicana.

Na votação de hoje, 24 integrantes do Partido Conservador, liderado por May, se rebelaram e apoiaram a emenda favorável à união aduaneira com a União Europeia.

Depois de os lordes aprovarem o texto, o projeto volta a Câmara dos Comuns, que pode aprovar ou não as modificações. O texto ainda passa outra vez pela Câmara dos Lordes, um processo conhecido na política britânica como "ping pong".

O porta-voz para o "Brexit" do Partido Trabalhista, Keir Starmer, comemorou a derrota do governo e ressaltou que a oposição defende a união aduaneira como forma de proteger o emprego dos britânicos.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, defendeu a necessidade de criar uma nova união aduaneira com a UE e a saída do mercado único europeu para buscar um acordo "sob medida" com o bloco.

O secretário de Estado do Ministério para o "Brexit", Martin Callanan, parlamentar conservador da Câmara dos Lordes, indicou que o governo descartou claramente a possibilidade de o Reino Unido permanecer na união aduaneira após a saída da UE.

Membros do governo de May argumentam que fazer parte de uma união aduaneira impediria o Reino Unido de firmar acordos comerciais com outros países assim que o "Brexit" for concretizado. EFE